sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Simples assim

Sai correndo de casa, parei um táxi. O motorista rumou para um engarrafamento que levava o nada a lugar nenhum, e parado no meio do trânsito me disse: Não vou ter combustível para chegar onde a sra. quer.
Desci do táxi e peguei outro, que me levou ao meu destino. Um encontro com os amigos da oficina da crônica. O curso terminou na última quinta-feira, mas nossa vontade de estar juntos não.
A porta estava aberta, fui entrando. Sr L conversava com o Poeta de Paquetá.
Antes de cumprimentar o anfitrião não pude deixar de notar o bom gosto da mesa posta. Em frente a cada lugar tinha uma pastinha de cor diferente com o nome de quem se sentaria ali. A que tinha meu nome era cor de rosa!
Tímida que sou, e não pareço, logo me senti em casa.
Rodeada de quadros, não sabia para onde olhar. Ainda não conhecia a dona da casa ela chegaria mais tarde.
Os outros colegas foram chegando.
Curiosa, mal podia esperar para abrir a pastinha.
Poesias! Não fiquem com inveja que é feio!!!
Sra D. depois de ligar algumas vezes, conseguiu chegar em casa, apesar do dilúvio.
Sra D. é muito acolhedora. A vitalidade e a simpatia me encantaram.
De repente parei de ouvir o que falavam. Uma imensa alegria me invadiu.
Que casal incrível. Os dois são generosos, inteligentes, acolhedores. Quando crescer quero ser como eles!
Sr. L. nos guiou numa espécie de jogral. Onde cada um lia em voz alta uma parte do poema e todos liam em coro o final. Tímida que insisto em ser, nem conseguia ler direito. Mas ficava grata em poder participar, mesmo com o coração a galopes.
Não fosse isso tudo maravilhoso, Sra D. ainda nos brindou com um lanche delicioso, com tudo feito com carinho por ela mesma. Gulosa que sou comi bastante. Com destaque especial para o pão (Sr L. quem o fez) e para a truta defumada, que é dos meus pratos prediletos
Não sabia que tinha feito algo para merecer tamanha alegria.
O Poeta de Paquetá ainda leu algumas poesias onomatopaicas de sua autoria e nós demos boas risadas.
Combinamos novo encontro ( que eu mal posso esperar) e depois de muito vinho chamamos um táxi.
Se ainda não bastasse tanto acolhimento, Sr L. e Sra D. tiveram o bom gosto de nos levar a portaria. Que fofos.
O tempo todo tivemos a companhia de um menino, de 9 anos, filho da "noronha" e que é um encanto de menino.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Ainda nos azuis

Encontrei este texto aqui no meu blog. E não é que tem a cor azul e a vovó!



Ontem fui caminhar na praia de botafogo. Fui devagarinho, pensando na morte da bezerra, tomando fôlego para começar a semana da minha vida de madame. No caminho lembrei que queria falar do filme que vi na tardinha de sábado de inverno e fiquei falando de pipocas e não falei do filme.

Na verdade o nome do filme era "Há quanto tempo que te amo". Era um filme francês daqueles que você se senta a mesa com os personagens e se sente um tanto a vontade, quase pedindo para alguém passar o sal.

Fiquei tão a vontade que fiquei reparando nos aventais dos personagens. Todos da casa participavam do trabalho doméstico, e cada avental era mais bonito que o outro. Alta costura francesa.

De repente no meio do filme, me lembrei de um aventalzinho que minha vó fez para mim quando eu era pequena, com 9 talvez, não mais que isso. Acho que vem dai minha paixão por bolinhas: O aventalzinho, na verdade era um vestidinho em tecido azul de bolinhas brancas. Era um modelinho moderno, transpassado e que tinha uma maneira toda especial de vestir. Amarrava a frente nas costas e as costas na frente. Vovó ficou contente de me fazer aquele vestidinho, e eu chorei quando o reencontrei no cinema. Chorei demais para aquele momento do filme, apesar de ser um dramalhão.

O meu avó

Este foi o primeiro texto que eu escrevi. Escrevia e escondia numa caixinha de lata que tinha chave. Não sou de guardar nada, mas guardava meus primeiros textos a sete chaves, pois tinha muito medo de alguém ler. Já tinha postado aqui, mas como ninguém comentou, achei que não tinha problema postar de novo. Mesmo porque estou tentando escrever sobre o azul.


O meu avô

A primeira lembrança que eu tenho do meu avô é a de ver minha imagem refletida em seu carro preto, oficial, impecavelmente lustrado por um santo motorista.Eu tinha cinco anos, um cabelo loirinho, franjinha, vestidinho azul turquesa.

A imagem ficava totalmente distorcida como numa casa de espelhos. Volta e meia o motorista passava uma flanela, e eu não me atrevia a tocar no carro.

Depois me lembro de ver vovô chorando e fazendo chantagem emocional: Mamãe histérica resolveu dar educação para todos, para nós três , eu Rodrigo e Duda ao mesmo tempo, e cada vez que errávamos ou riamos com a loucura dela, mais brava ela se tornava, neste dia ela chegou a morder a mão do , entortar o garfo na minha, dar uns tapinhas na do Duda e a Tati ficou rindo dela também, mas por detrás do copo. Vovô chegou e não gostou nada daquilo, disse que ela parasse, e ficou com os olhos, azul turquesa, marejados. Neste dia disse que não se hospedaria mais lá em casa, ficaria no apartamento funcional.

Quando viemos morar no Rio de Janeiro me lembro de estranhar muito e não entender o que vovô queria dizer. Ele dizia que olhássemos com os olhos, e nunca soube que podemos olhar com as mãos, os ouvidos , os pés e o nariz.... basta termos a curiosidade.
Vovô era disciplinado e queria disciplina, e eu pé descalço e desordeira de nascença, nunca o entendia.
Vovô foi injustiçado em seu trabalho e saiu do emprego. Eu que ouvi conversa de adulto tomei as dores de vovô. Vovô e Vovó não entenderam porque eu sempre tão simpática, não quis cumprimentar um certo dr tomé. Que eu tinha entendido, nas conversas de adulto, ser o culpado pela injustiça que fizeram ao meu avô.
Na temporada que eu Tati e passamos no Rio sem nossos pais, vovô me levava para a escola, a pé. Eu segurava em sua mão, melhor eu segurava seu dedo polegar e ia ouvindo pelo caminho _”anda ligeiro menina, anda ligeiro...”.
Vovô não entrava em taxi fusquinha. De jeito nenhum.
Às quintas feiras, vovó tinha aula de porcelana e nos deixava sob os cuidados dele, e ele não tinha dúvida, botava todo mundo para dormir.

Um dia vovô ficou nos ajudando nos deveres de casa, e sem paciência nenhuma me obrigou a fazer uma letra que não era minha, ficou realmente legível, mas a professora nem acreditou que aquela era minha letra. Até hoje tenho uma letra linda, uma não, várias! Vovô neste dia me chamou de burra e disse que eu ia comer capim no jantar.

Nesta mesma temporada, cansado de ver a vovó impaciente para ensinar a minha irmã a fazer o crochê, vovô pegou a linha e a agulha e com paciência procurou mostrar à Tati como se fazia. Ficou engraçado o contraste daquele dedão com uma agulha de crochê!
Vovô adorava doce bem doce, assobiava bem alto, arrregalava os olhos e colocava a dentadura inferior para frente. Tinha medo de ladrão, olhos azuis turquesa, pele vermelha, sardas, dedos grossos, cabelo branquinho com gumex, cheiro de perfume, vovô tinha um lenço muito perfumado, era limpinho.
Vovô me deu um radinho em forma de dadinho que eu amei.
Vovô me chamava de cara suja (por causa das sardas), vivia me ligando para perguntar se eu tinha lavado o rosto naquele dia, comprava sabonetes especiais, só de brincadeira, para eu lavar o rosto. Eu hoje em dia amo ganhar sabonetes.

Vovô não gostava que o chamassem de você. Vovô era discreto, honesto, ingênuo. Vovô era muito briguento, ficava vermelho como um tomate e raios e trovões....
Torcia pelo flamengo que se perdesse, raios e trovões....
Vovô comprava o pão na padaria, lavava as garrafas com feijão dentro e ajudava a tirar a mesa do lanche. Usava ternos impecáveis, sapatos bem lustrados.
Vovô tinha ciúmes de mim com a vovó e vivia implicando comigo, eu não entendia isso e sempre acabava respondendo mal.

Até que eu cresci, amadureci e da última vez que nos falamos ele já bastante afetado pelo mau de alzeihmer quis implicar comigo e eu desta vez não dei o cavaco como ele dizia, e ele muito emocionado e arrependido chegou perto de mim e me pediu desculpas por ter falado comigo daquele jeito, e eu calmantente disse -não tem problema , quando nos gostamos agimos desta forma também!
No dia seguinte a este vovô foi internado na primeira de uma série de idas e vindas do cti.
Vovô sofreu muito, foi parar até no asilo.
Eu o visitei uma vez no hospital do exército, e foi horrível eu chorei muito, e ele se machucava tentando arrancar o soro a todo custo, ele estava muito magrinho e usava fraldas. Depois eu o visistei no asilo, e já não chorei tanto, quando comecei a chorar ele me olhou como quem me dissesse, calma minha filha, são coisas da vida.

Depois vovô voltou para a casa, e eu também não gostava de visitá-lo, tinha minha vidinha egoísta e também tinha meus problemas.
Mas a última vez que eu o vi, ele me olhou, e já não falava mais com a boca, só com os olhos, e ele me olhou e saiu uma lágrima de seus olhos azuis turquesa. Eu achei que ele me perguntava como iam as minhas filhas, (pergunta recorrente sempre que ele me via) e eu disse que elas iam bem, que a mais velha estava com 9 anos e a caçula com sete.
E... depois eu falei daquele jeito com que falamos com as crianças e os velhinhos:
-, e o flamengo hein?! Ele fez uma carinha de quem tinha entendido e queria saber como ia o flamengo, e o flamengo ia mal.
Depois disso vovô morreu.
E...Até hoje eu vejo a minha imagem distorcida, mas já não é mais no carrinho preto e bem lustrado dos cinco anos.
Porque você não escreve sobre o seu Avô também eu ia gostar de saber como ele era.
Bjs da Paçoca

Hoje vou de Roxo!


Não entendo esta verdadeira histeria pela ceia de natal e afins. Os supermercados ficam lotados de gente comprando os mesmos produtos, para fazer a mesma farofada.
Eu como bem o ano todo. Na ceia de natal só é mais especial, porque estou com minha família, porque ceiamos envolvidos pelo espírito de Natal. Meus pais cozinham muito bem e minha mãe arruma a mesa com muito bom gosto. Conversamos, bebemos, comemos, brigamos, vibramos, brindamos. O cardápio nunca é o mesmo. Mas o sabor da ceia se supera a cada ano.
Na verdade nem sempre é ceia. Mamãe não faz o tipo galinha! Ela nos deixa livres para escolhermos onde queremos ceiar ou almoçar (já que todo mundo agora tem uma outra família). Este ano combinamos de fazer um almoço bem tarde no dia 25. Às vezes fazemos um brunch.
Quando sento para escrever sempre acho que vou dominar as idéias, queria continuar escrevendo sobre o azul, mas vi que não ia dar tempo. Então vou colocar o texto que eu fiz sobre a páscoa que é roxo e depois volto para o azul. Lembrei-me do texto devido a histéria das compras, bacalhau, pão para rabanada e panetone, peru, tender, nozes....


A Paixão é roxa e tem cheiro de lírio

Depois de uma certa idade, parece que o tempo voa.

O comércio então me deixa apavorada, com o calendário composto apenas de: natal, carnaval, páscoa, dia das mães, namorados, pais, crianças, seguidinho assim e de novo natal cada vez mais em novembro.

Nada me aflige mais do que quando termina o carnaval: já na quinta-feira as lojas especializadas estão repletas de verdadeiras plantações de ovos de páscoa.

Deus, que, como se sabe é Brasileiro, também se encarrega de nos preparar. Ao longo dos dias que separam o carnaval da páscoa vai salpicando na densa mata o roxo da sua Paixão. Quero dizer: nesta época as quaresmeiras ficam repletas de flores roxas, cor que para a Igreja Católica, simboliza a Paixão de Cristo.

Nesta sexta-feira-da-paixão, colocamos as malas no carro e saímos cedinho para passar a Páscoa no sítio.

No caminho, que é lindo, vou pensando no que tenho que escrever.

Vou lembrando das páscoas passadas e dos entes queridos.

- Hoje é dia de jejum com abstinência, advertia-nos, animado, meu sogro, já pensando na comilança que se prepara com muito bacalhau, azeite, batatas e natas. A carne não vale , é dia de bacalhau, uma paixão nacional e uma tradição importada.

Já quase em Pampa-Linda (o sítio); noto que o caminho também está cheio de lírios do brejo e mal posso esperar, para sentir o agradável aroma que esta época, de passagem para o inverno, tem.

Volto às lembranças. Sem esquecer o texto.

Meu pai detesta bacalhau e fica irritado, roxo de raiva, quando sabe que o menu é o maldito peixe demolhado e dessalgado. Repete com desdém que bacalhau não é peixe e sim uma maneira encontrada para conservar sem ter que refrigerar.

Mamãe, que sempre respeitou as vontades dele, nunca serviu um bolinho sequer. E agora que sou eu quem “faço” a páscoa, por tradição, mantenho o jejum com abstinência de carne e de bacalhau.

A cada curva mais quaresmeiras roxas e matas verdes e lírios.

Continuo me lembrando dos queridos e...

Já que citei meu sogro, não vou deixar minha sogra de fora, é mesmo prudente, não quero lhe causar ciúmes.

Naquele ano foram passar a Páscoa em casa de gente muito fina e elegante. Sempre preocupada com a educação dos filhos, Dona Cora preveniu-os:

- Cumprimentem a todos. Ao aceitar algo digam: -sim, obrigado; se, por acaso não quiserem: - não obrigado. Cuidava para não esquecer algo que pudesse comprometer o orgulho de mãe zelosa.

Carlinhos, o filho caçula, ouviu com toda atenção a preleção, era a primeira vez que saía sem as humilhantes calças curtas e não queria fazer feio. Cumprimentou a todos com simpatia, aceitou um copo de refresco, que bebeu com muito cuidado para que nada saísse errado. Foi quando lhe ofereceram bacalhau que o aplicado rapazote improvisou, com toda a polidez:

- Não obrigado! Não suporto nem o fedor!

Dona Cora, é claro, ficou roxa de vergonha.

Desde então, sempre que aqui em casa não gostamos de algo vamos logo dizendo: - não, obrigado! Não suporto nem o fedor! (seguido de uma boa gargalhada).

Duas horas depois, chegamos a Pampa-Linda.

Rex nos esperava como quem espera os ovos da Páscoa.

E, que delícia: quando salto do carro sinto o perfume dos lírios, que são minha paixão.


domingo, 13 de dezembro de 2009

Azul

Editei esta foto rapidinho no photoshop. Não foi para tirar celulites, foi para incluir as borboletas!!! Sinto não ter mais tempo para editar minhas fotos e para melhorar meus textos, mas de qualquer forma me divirto bastante!!!! A foto foi tirada no Projeto Portinari em 92.

A postagem de ontem me fez lembrar de uma cor que me é muito cara! Azul Portinari.
Aluna do departamento de artes da Puc/Rio, li um anúncio que pedia estagiários para o Projeto Portinari.
Apesar de enorme timidez, e insegurança. Tomei coragem e me inscrevi.
Fiquei tão encantada que esqueci timidez, insegurança ou qualquer impedimento e consegui o estágio.
Lembro como se fosse hoje. Com a mesma alegria.
Era o dia do noivado da minha irmã mais velha. A casa estava em festa. O telefone tocou:
Por incrível que pareça atendi.
- Boa noite: será que eu poderia falar com a Márcia?
Borboletas azuis adormecidas começaram a dançar no meu estômago. Quase não pude suportar.
-É ela quem está falando;
Márcia, sou eu a Regina, queria te dar os Parabéns, você é a mais nova estagiária do Projeto Portinari.
Éramos cinco. Recebemos um bolsa do CNPq, e iríamos fazer parte da equipe responsável pela editoração eletrônica do catálogo raisoné: Candido Portinari-obra completa.
O capitão do nosso navio era João Candido, filho único do pintor.
Um eterno apaixonado, João era muito generoso. Sua paixão era contagiante e o resto dos profissionais também trabalhavam com muito carinho.
Enquanto estagiários nossas tarefas estavam sempre voltadas para o aprendizado. Arrumamos fotos com as obras (+-5000), assitimos a filmes, palestras. Uma riqueza e uma alegria sem fim.
Os outros estagiários foram saindo um a um, e eu, fui ficando.
Muitas vezes eu acompanhava o professor João nas palestras que ele dava. E sempre, toda as vezes que nós estávamos nos preparando para entrar em cena ouvíamos este poema do Drummond.



sábado, 12 de dezembro de 2009

EU QUERO CHEGAR ANTES



Coloquei os dois clipes da mesma música porque gosto do som do primeiro e da timidez do renato russo no segundo.
Também adoro cores! Se hoje o objeto que mais gosto são os livros, antes de aprender a ler já gostava de brincar com lápis de cor.
Uma das memórias mais remotas da minha infância é a de estar sentada na mesa de granito preto da sala de jantar lá de casa desenhando e de ver entrar um ladrão, da babá correr comigo, minha irmã e meu irmão pra fora e de deixar o cacula, recém nascido no quarto dormindo.
Minha mãe fazia unhas na vizinha e veio correndo, acho que não tinha nem calçado a sandália. Sei que não foi mamãe quem tirou o Duda lá do quarto, acho que foi a vizinha manicura.
O ladrão saiu correndo enquanto a rua toda gritava pega ladrão, pega ladrão...
Parece que o rapaz só tinha roubado uns trocados e um vidro de pimenta de um armazém perto de casa.
Não me lembro de ter ficado assustada naquela confusão. Fiquei só observando o corre corre, talvez,com 4 anos eu nem soubesse ainda o que era ladrão.
Eu morava em Brasília e naquela época era este tipo de ladrão que existia por aquelas bandas. Onde a terra é vermelha ( minha cor predileta).

Madrugada? Vou de Drummond!!!

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

São Conrado


Muitas vezes, tenho tanta coisa para escrever que parece que todas as palavras estão numa centrífuga que não consigo desligar. Vejo tudo lá rodando e não consigo pinçar nada. Então enquanto tento arrumar a cachola escrevo como foi meu dia.
Dormi muito mal. Fritei como bolinho de bacalhau a madrugada toda. Acordei no horário de sempre e não meditei.
Acordei com uma dor de estômago insuportável, resultado de excessos da noite anterior.
Mas não há dor de estômago que me faça ficar em casa no meu dia de folga!!! Já havia combinado com uma amiga de levá-la a um shopping (local que eu detesto) mas que com minha amiga, vira um passeio um tanto pitoresco.
Enfrentei os batalhões, os alemães e seus canhões, guardei o meu bodoque e cheguei pontualmente a portaria do prédio da Sra Rosa (vamos chamá-la assim!)
Adoro a minha pontualidade e a dela também!
O shopping fica em São Conrado, mas quando vou até lá me sinto em São Paulo. Você não vê ninguém de bijoux só ouro, nem de "rasteirinha", nem sem maquiagem e o ar Blasé é marca registrada tanto dos vendedores quanto dos compradores.
Sra Rosa e eu adoramos comer, ou por outra: adoramos comer bem.
Sentamos para almoçar num Bistrô. Adoramos Paris. E fingimos estar em Paris sentadas ali naquela tarde de primavera.
Os assuntos são sempre muitos quanto estamos juntas, não paramos de falar nem um único minuto. E como sempre falamos da nossa vida e da dos outros também. É claro.
O bistrô metido a francês e lotado de paulistas, nos oferecia umas pizzas de entrada. Quadradas, com massa fininha, pouco queijo pouco tomate e bem saborosa. Cometi uma heresia e não pedi vinho, tomei coca. Estava dirigindo e: se dirigir não beba. A coca-cola, combinou muitíssimo bem com as pizzas metidas a francesas. Minha amiga que não dirige e pode beber pediu uma cerveja.
O prato principal era meio galeto de um franguinho mínimo, algumas folhas de alface, e uma batata cortada em lascas finíssimas e enformada de modo que ficassem quadradas. Que mania de quadrados! Cada uma que a gente vê!!!
O fraguinho estava ótimo, o molho que vinha numa mínima jarrinha pelando era muito gostoso. Os franceses adoram molho! Moi aussie.
Sra Rosa, comeu rabanadas de sobremesa. Eu confessei a ela que nunca, nunca, tinha comido uma rabanada. Acho engraçadão ver todo mundo suspirar por rabanadas. Também nunca comi um panetone, outra histeria destes calorentos e chuvosos dias de dezembro.
Realmente, a rabanada estava uma delícia e tinha um molho de doce de leite...
Conversamos bastante, rimos muito.
Minha amiga é tarada por sapatos. Conheço tantas pessoas taradas por sapatos que se abrisse uma sapataria poderia frequentar bistrôs franceses, em Paris, o ano todo e nunca dar de cara com uma rabanada, no máximo um "pain perdu", que muito provavelmente eu iria declinar.
Sra Rosa adora sapatos e tinha deixado separado um par. Queria a minha opinião. Na verdade ela queria que eu fosse sua cúmplice. O sapato ficou ótimo e quando já estávamos quase saindo, ela viu um outro azul royal que também ficou ótimo e que ela também experimentou e comprou.
Passeamos bastante e paramos numa sorveteria. Experimentamos um montão de sabores e não escolhemos nenhum, afinal tínhamos acabado de almoçar.
Ainda conversamos bastante na volta para casa, foi uma tarde bastante agradável. Deixei-a em Ipanema para mais umas comprinhas e peguei o caminho de volta para casa.
Mal podia esperar para chegar em casa e no restinho de tarde assistir a um filminho que eu por sugestão de um querido amigo peguei na locadora.
Só srta 12 estava em casa, sinal que veria meu filme sem interrupções.
Sem medo de ser feliz, apertei play.


Obs: Não pretendia falar mal de paulistas, (eles não tem o ar blasé). Quando falei de paulistas me referia a sofisticação!

Phoenix dactylifera



Peguei lá no wikipedia.. A propósito:
Pitted dates are also referred to as stoned dates.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Banana Chutney


ingredientes:

Metric/Imperial
450g (1lb) spanish onions peeled and cut into pieces
225g (8oz) stoned dates
6 bananas peeled and cutinto pieces
300ml (1/2 pint) vinegar
100g (4oz) crystllized ginger, sliced
1 teaspoon curry powder
225g (8oz) black treacle
1-2 treaspoon salt

ou se você preferir

American
1lb bermuda onions, peeled and cut into pieces
1 cup pitted dates
6 bananas, peeled and cut into pieces
1 3/4 cups vinegar
1/4 lb sliced candied ginger
1 teaspoon curry powder
1 cup (1/2lb) molasses 1-2 teaspoon salt

Fit the metal blade. Separetely process de onios and the dates until finely chopped. Put both into a enamel-lined saucepan,. Process the bananas to a pureé and ad to the pan. pour over the vinegar and bring to the boil. Reducve the hgeat and simmer until tender, about 165 minutes. Stir in the remaining ingredientes adding the salt last, to see how much is needed.Simmer until the chutney is rich and brown. Pour into sterilized hot dry jars and seal. Makes aprproximately: 1,5 kg/3 lb chutney


Queridos:
Peguei esta receita num livro chamado "The food processor cook book" (Mary Morris&Adrienne Katz) que comprei num sebo, bem pertinho aqui de casa.
O ano passado eu fiz e todos adoraram, este ano pretendo fazer, colocar em potinhos e dar de presente para quem passar o natal comigo. É mesmo uma pena que morem tão longe e não podem ter as lindas, indispensáveis, saborosas e orgânicas bananas que temos em Pampa-linda. Mas caprichem. Obs: Eu não tinha cristais de gengibre e então fiz com o gengibre fresco mesmo! Bjs da Paçoca

Qualquer semelhança...



Um dia na vida de Miranda L.

Eu ando sozinha no meio do vale.

Mas a tarde é minha

(Canção da tarde no campo, Cecília Meireles, 1967)

Acordou às 4:30 da madrugada e, temendo acordar alguém; perder o silêncio; ou ser solicitada para um copinho d’água; nem acendeu as luzes, subiu, e foi direto para o computador. A quarta-feira demorou, mas chegou. Precisava “arredondar” aquela crônica de qualquer jeito. Releu o texto, tentou consertar a pontuação. Releu mais uma vez, tentou mais uma vez. Distraiu-se e, o preguiçoso sol de inverno, já estava nascendo bem ali atrás do Pão-de-Açúcar.

Preparou o café, levou a filha mais velha, à escola. Na volta aproveitou para parar no supermercado. Deixou as compras no elevador e “interfonou” para Simone (sua nova ajudante) pegá-las. Atravessou a rua e fez o orçamento do material para a pintura do apartamento. Deu uma passadinha nas “Lojas Americanas” pediu ao gerente caixas vazias. Carregou as que pode até em casa. Fez os bolinhos da encomenda (vende bolinhos para negar o ócio). Hoje, não daria tempo de fazer a caminhada e teria que adiar novamente o retorno à natação. Pegou as crianças na escola. Deixou os bolinhos no cliente. Levou uma filha ao vôlei, a outra no inglês. Passou no banco, pagou as contas, pegou dinheiro. Deu instruções para o jantar. Buscou o carro, do marido, na oficina. Abraçou a pastinha com os textos e saiu mais cedo para o “curso de oficina da crônica” (como gosta de chamar).

De volta, a caçula pediu que a ajudasse a estudar História. O marido chegou do trabalho, e ela, ainda às voltas com gregos e troianos, pediu: - Será que você poderia pegar a Carlinha, na casa da Bia, para mim?

- Agora nem isto mais você faz? (respondeu o marido).

Suspirou, pegou chave e documentos do carro e saiu.

No demorado caminho, que separa o Jardim Botânico de Botafogo, àquela hora, coloca o único cedê que tem no carro e despudoradamente acompanha, aos berros, o Chico Buarque. Joga pedra na Geni, ela pode nos salvar, ela vai nos redimir... Eu enfrentava os batalhões os alemães e seus canhões... Morreu na contra-mão atrapalhando o sáaaabado... Amanhã vai ser outro dia... Já no terceiro “eu te amo” chega ao destino, pega a filha e retorna a Botafogo. Brinca com o porteiro. - Seu Antonio, por favor, tranque a portaria e jogue a chave fora. Não deixe que eu saia nem pro meu enterro!

-Terminou por hoje dona Miranda?

- Ainda não, estou quase. Falta o jantar, pensou.

Mesmo bastante cansada, reparou no capricho com que Simone tinha deixado cortados os legumes para a sopa. Aqueceu o azeite, refogou a cebola até quase dourar, acrescentou a abóbora, esperou que ela soltasse toda água, para, só depois, acrescentar o caldo de legumes. Enquanto isto, no forno os cubinhos de pão vão pegando cor.

Serve a sopa, senta-se à mesa e...

- Mãe, você sabe que eu não gosto de sopa de abóbora!

- Não é para gostar filha, é para comer sem gostar mesmo!

O marido (sabe-se lá porque) sente gosto de pimentão na sopa e ameaça não comer. Ela acha graça. Orgulha-se do inabalável bom humor “àquelas alturas do campeonato”

- Esta sopa está sem sal, reclama um terceiro.

Reconhece. Salga suas comidas como pontua seus textos: às vezes sal demais, outras vírgulas de menos!

Toma banho, passa os cremes e veste o bem humorado pijaminha vermelho de bolinhas verdes, que mesmo apertado, não consegue mudar seu estado de espírito. Está feliz. Suspira. Em outros tempos, depois de um dia como o de hoje, além de estar com um humor de cão, não teria ânimo para mais nada. Mas, ainda fez questão de escrever uma cartinha contando as novidades, da vida nova de cronista, para a sua analista que, (provavelmente, impedida pelo Dr. Freud) nunca responde. Escreveu à mão, com todo o capricho. E, finalmente, já deitada fez, orgulhosa, mais um xis na folhinha: Oitenta dias sem tomar o “maldito Tarja Preta”.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Meditando


Minha semana começou hoje terça-feira. Ontem não trabalhei, ou melhor o marido não trabalhou, eu trabalhei na filial. No sítio. Adoraria ser transferida para o sítio. Lá apesar de não ter as facilidades da vida moderna, também não tem as dificuldades. Só para citar um exemplo: em Pampa-linda, não pega nem celular! Eu tenho verdadeiro horror a falar ao telefone. Na verdade tenho horror, medo, é de atender ao telefone. Dependendo de quem está do outro lado, até gosto de falar. Principalmente quando é minha irmã que mora tão longe e que eu vejo tão pouco.
São 9:17 e o maldito já tocou duas vezes: o marceneiro disse que não vinha buscar o material para terminar, ma so ajudante de marceneiro ligou dizendo que pegaria uma parte do material.
Aqui também tem interfone, que também já tocou outras duas vezes. Mas deixa isso prá lá, que são ossos do ofício.
Só queria dizer que minha semana começou hoje, e que hoje comecei a fazer meditação. Um querido amigo me disse que meditando as palavras vão me amar. Ele escreve lindamente. Um verdadeiro talento.
Não sei quanto tempo fiquei sentada ali naquela posição, respirando e pensando na respiração. Pensei num montão de outras coisas também. Mas já é um começo; Preciso me desacelerar para conseguir organizar melhor minha vida, acho que meditar vai me ajudar.
Amanhã, se tudo correr bem e eu conseguir organizar direitinho meu dia (nem sempre depende de mim) vou postar a receita do chutney de bananas com tâmaras que fiz no natal passado. Não esqueci que o Ricardo tinha pedido a receita.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

mau-humor

Há muito tempo não tinha um mau-humor tão grande como o de hoje! Motivos não me faltam, mas também nunca me faltaram. Sou aquele tipo de pessoa que sempre acorda de mau-humor, sem motivo nenhum. Ou melhor: Eu acordo de ótimo humor, só não gosto que falem comigo. E tanto na casa dos meus pais, como agora na casa das minhas filhas as pessoas vêem aquela minha cara meiga e acham que podem começar o dia delas me entrevistando!
Mexem em vespeiro. O meu mau-humor é inevitável depois da terceira pergunta. E se não respondo com palavras o faço com faíscas que saem dos meus olhos e não deixam dúvida. É melhor parar com o questionário e me deixar quieta. Ninguém entende que eu penso, logo não respondo. Não consigo pensar e responder ao mesmo tempo. Ao acordar penso em um montão de coisas e respondendo perguntas o meu raciocícinio é interrompido para dizer, onde está o pão, mesmo sabendo que o indivíduo não vai achar!
Mas hoje eu não acordei de mau-humor. Fui ficando.
Não bastasse ver a cara do Arruda e dos 40 ladrões a toda hora na tv. Também tinha o Lula que tudo sabe e na opinião dele, e só na dele, uma imagem não fala mais do que mil palavras ( será que o dicionário dele chega a ter quinhentas palavras?)
Eu não esqueço que além do bordão" nunca antes na história etc e tal", tem o bordão: "Veja Bem".
Sei que sou rabugenta (acho esta palavra linda), mas mesmo assim me acostumei aos escândalos do governo Lula.
Tudo começou. Digo a casa caiu quando Duda Mendonça ( o responsável pela imagem do "lulinha Paz e Amor") foi pego em flagrante numa rinha de galos.
Este escândalo foi pinto, em relação ao que estaria por vir.
Não preciso enumerar aqui enscândalo por escândalo, porque mesmo quem não sabe ler tá careca de ouvir.
O meu mau-humor se deve a indústria da cpi e do impinchamento.
Todas as vezes que surge um novo escândalo sinto um arrepio.
Imagino aqueles enormes volumes de processos, com cópias. Uma quantidade de papel que qualquer dia desses vai acabar com a Floresta Amazônica antes do fim do mandato. Isso sem contabilizar os copinhos descartáveis, para o cafezinhos etc e tal e infinito e além. Toalhas (para secar as mãos) Papel higiênico para quem, bom deixa pra lá. E mais papel para fazer as falsas concorrências de compras disso tudo.
Disse que estou de mau-humor e vou parar por qui, meu teclado não tem culpa de nada.
A candidata Dilma tem sorte, porque as urnas são eletrônicas e não precisam daquele papelzinho para cometer o voto.
Porque me lembrei da Ministra? Acho que foi por causa do mau-humor.
Hoje não vai ter imagem.

"matou a família e saiu para tomar um chopinho"!


4hs e 57 min. Antes de desligar o celular e prestar a maior atenção à penúltima aula do Mestre Felipe Pena (este ano!), mandei um torpedo para o marido que dizia mais ou menos assim:
- Estarei incomunicável nas próximas duas horas e depois irei tomar um chopinho com meus coleguinhas de turma. Srta 14 vai ao curso de inglês e volta às sete. Passo o comando para você, que deve saber se as meninas chegaram bem.
O marido (que trabalha fora) respondeu ironicamente:
- Claro, tomarei conta de tudo, mas antes me diga qual das duas planilhas eu devo abortar primeiro.
Apesar de ter sempre uma resposta na ponta da língua, me contive, e não disse que o que são duas planilhas na conta de quem abandonou o futuro e o passado para cuidar da família.
Não gosto de ser indelicada. E com bom humor respondi: Finge que por algumas horas quem está no Chile sou eu, e assuma o comando. A aula vai começar. Câmbio e desligo.
A aula foi ótima como sempre, a turma caprichou e foi muito bonito ver o quanto cada um se orgulhava de assinar com nome verdadeiro sua crônica.
Saímos para comemorar bem pertinho do curso, num pé sujo, com ótimo chopp. Estavamos animados como colegiais, e como colegiais fizemos mil promessas de encontros e reencontros.
Voltei feliz para casa. Encontrei srta 14 linda, de vermelho e branco, estirada nos almofadões do meu quarto, lendo. O marido dormia. E srta 12 disse que eu a deixei ir dormir na casa de uma amiga.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Penúltima crônica da Oficina de Quinta!


O dever de casa desta vez era revelar o porque da escolha do pseudônimo.


Somos feitos do mesmo que nossos sonhos

“We are such stuff as dreams are made on”

(A Tempestade Shakespeare)

Em casa éramos quatro filhos. Ou melhor, somos: duas meninas e dois meninos, com idades muito próximas. Uma verdadeira escadinha como se diz. Brincamos juntos a maior parte do tempo. Mas nem eu, nem minha irmã gostávamos de futebol. Os meninos faziam questão de contar cada lance dos jogos que assistiam ou das peladas que participavam. Parecia até implicância. Nós duas detestávamos!

-Rodrigo, você achou que eu estava impedido no lance do gol?

-De onde estava não deu para ter certeza, acho que não, mas o juiz tinha outro ângulo de visão.

-E aquele carrinho que o Nelsinho deu no Bira, foi até covardia você não achou? O moleque teve que ser substituído.

-Bonito mesmo foi o gol de placa do Pepe, ele é mesmo um craque!

Cansadas de ouvir resenha esportiva sem nem precisar ligar o rádio, eu e minha irmã resolvemos pregar uma peça nos meninos. Assistimos a um amistoso (acho que era Brasil e Bolívia) e anotamos cada lance do jogo. Os noventa minutos ficaram bem explicados, com comentários e observações dignas de um bom entendedor. Quando os meninos chegaram, eu e minha irmã comentamos o jogo do mesmo jeitinho que eles insistiam em fazer há tempos. Assim “as meninas” lá de casa passaram a entender um pouco mais de futebol E, compreender é também gostar. Não era muito difícil gostar de futebol naquela época. O Brasil era tricampeão, e, apesar da Seleção não contar mais com Pelé, e com outros nomes de ouro da campanha do tri, o time era de craques.

Gosto de palavras, gosto de nomes. Quando acho o nome de alguém sonoro, já simpatizo com a pessoa logo de cara! Os nomes do time da seleção brasileira na copa de 74 eram muito interessantes: Piazza, Rivelino, Marinho Chagas, Carpeggiani. Mas tinha um nome que eu adorava repetir, achava de uma ternura... Mirandinha. Apelido de Sebastião Miranda da Silva Filho. Conhecido por fazer muitos gols e perder outros tantos.

Não escolhi meu pseudônimo por causa do Mirandinha, lembrei-me dele agora que quero revelar o motivo do meu pseudônimo de cronista.

Enquanto escrevia lembrei de outro Miranda. Uma lembrança não! Uma vaga ideia.

Quando adolescente li um romance chamado “O cortiço” de Aluísio de Azevedo. Li todinho, mas não lembrava de nada, apenas que tinha alguém que se chamava Miranda. Procurei um resumo do livro para me certificar e lá estava o Miranda, um vizinho. Gosto de vizinhos. Quando ouço a palavra, imagino uma xícara de açúcar, um pedaço de bolo quentinho, um cheirinho de café passado na hora Será que foi por gostar de vizinhos que não me esqueci do Miranda?

Não consigo entender porque conseguimos recordar algumas coisas e outras não, coisas vividas na mesma hora e no mesmo local. De um romance inteiro, só lembrar de um nome!

Selective memory (memória seletiva) dizia um chefe americano que tive. Se bem que ele se referia a uma funcionária que só se lembrava o que a interessava. Não é assim com todos nós? Confesso que fiquei tentada a reler o livro e ver, o que minha memória será capaz de selecionar agora, passados 30 anos daquela primeira leitura.

Finalmente: escolhi Miranda por causa de uma mulher. Na verdade, quem a batizou foi um homem: Willian Shakespeare.

A primeira peça dele, que eu vi encenada, antes mesmo de Romeu e Julieta foi “A Tempestade” O ano era 1982, e o cenário não poderia ter sido mais bonito. A casa que Henrique Lage mandou construir no final do século 19 para sua amada, a cantora lírica, italiana, Gabriela Bezanzoni. E, que atualmente abriga a EAV (Escola de Artes Visuais do parque Lage). Situada aos pés do morro do Corcovado, no bairro do Jardim Botânico, Rio de Janeiro.

Em torno da piscina, no mesmo local onde a famosa Mezzo-Soprano dava as suas festas, a produção teve o bom gosto de realizar a peça. Sentávamos em banquinhos em torno da piscina. No início, em silêncio total, abria-se um toldo deixando a mostra o céu estrelado. Os atores surgiam de modo inesperado, Fernando descia do telhado agarrado a uma corda com apenas uma das mãos. Caliban, o escravo, pulava do telhado dentro da piscina. Fernando e Miranda faziam a cena de amor dentro da piscina.

Eu, que nesta época sonhava ser atriz, fiquei encantada com a peça, os atores, o cenário e com o nome Miranda.

Achei que cabia muito bem o sobrenome de industrial português, numa mulher:

Dr. Miranda está ao telefone. - A sra vai atender? Soa um tanto formal.

Já: - Miranda, ruborizada, ajeitou a saia. Soa bem mais simpático, e rima com abranda, ciranda, varanda e lavanda!

Não sonho mais ser atriz, mas ainda sonho bastante. E aprender a escrever crônicas é a realização de um de meus sonhos.

Miranda.

(amiga de: Severino Mandacaru, Roberta Bontempo, Noronha, Emanuel Vilanova,

Merrick, Lo Bianco, Aprendiz, Ícaro, os “mutantes” e aluna do Mestre Pena.)


quinta-feira, 26 de novembro de 2009

DIA MARRECO ???? LEIA DE BAIXO PARA CIMA.

Ele: Oi,
O dedo melhorou e à frieira tb. Ainda não estão 100%, mas quase não dói. Só às bolhas não melhoraram muito.
Amanhã às 7 vou subir o vulcão.
À propósito dos erros, o assunto era dia marrumeno, e não marreco.
Pucon e bem turístico. Tem umas 30 agência de turismo aventura, uns 40 restaurantes, muitos hotéis e hostais, e condomínios de luxo. E muito bonita.
Beijos e reze por mim.


EU
aposto que se fosse comigo o quarto dos cachorros é que ia sobrar para mim. E o dedo melhorou?


ELE
> Já cheguei em Pucon. V. Ia adorar o hostil ... Tem 2 cachorros e umas 20 pessoas em 6 qtos, sendo que estou sozinho em um.
> Os erros são pelo maldito corretor automático.
> beijos
>EU
> Querido, diamantes são pequenos e não pesam!
> Por acaso você além das bolhas bateu com a cabeça? Eu explico: você disse nesta missiva que está com uma freira na cabeça e que seu dedo informou! É isto mesmo?
> O meu fim de semana foi ótimo, regado a vinhos ótimos. Já a vidinha continua a mesma: quente e sem armário! O rapaz está aqui tentando melhorar e disse que até sexta entrega.
> Não se preocupe pois estou sobrevivendo! Você acha que R$ 55,00 está caro para 100 (cem) gramas de cereja? Acabo de comer um quilograma.
> Saudades de viajar com você quando eu podia comer pistaquios e você curtia comer comigo na casita suiça em bariloche. Te amo
> Querido, diprogenta não serve para tudo, veja se está melhorando, senão tente outra coisa.

ELE
> > Hoje o dia não foi tão bom. Choveu muito e ficou tão nublado que não vi o Osorno . Rodei o lago todo. Passei por lugares lindos, mas sem sol perde muito. Fui à Petrohue, mas no lago Esmeralda mal deu para saltar. Fiquei todo molhado. Dà outra vez foi muito melhor. E ainda por cima não tinha com quem comentar e ficar mostrando...
> > Rodei uns 400 km, sendo quase à metade em estrada de ripio, ou seja carvalho e terra. Com à chuva não estava muito bom.
> > V. Acha que R$5,50 está caro para 1 Kg de cereja? Acabei de comer meio kilo
> > Seu presente vai ser mesmo uma surpresa, não tenho a menor idéia do que comprar. E ainda por cima tem que ser pequeno e leve...
> > Para v. Não dizer que aqui eu não reclamo:
> > 1-estou com 2 bolhas grandes no pé. Tive que comprar esparadrapo pois o que eu trouxe, não cola
> > 2-estou com freira na orelha. Ontem nem podia tocar, mas hoje melhorou um pouco.
> > 3-meu canto dà unha informou e estou botando diprogenta direto. Ainda dói bastante
> > Não se preocupe, pois estou sobrevivendo.
> > Amanhã vou pegar um bus às 9:30 para Pucon. Só devo chegar lá às 16:00.
> > Beijos. Saudades de qdo v. Gostava de viajar comigo, para Bariloche e P.Montt

terça-feira, 24 de novembro de 2009

crônica de quinta


Publico aqui a última crônica que escrevi para a Oficina da Crônica que estou fazendo às quintas-feiras. O mestre Felipe Pena nos pediu que escolhêssemos um fato qualquer que tivesse saido no jornal na semana.

“Terção Brasileira”

OBITUÁRIO

Herbert Richers, 86, sinônimo de dublagem

A frase “versão brasileira Herbert Richers”

está no inconsciente coletivo desde

os anos 50, quando Richers criou

sua companhia de dublagem...

(o globo 21 de novembro de 2009)

Quando eu nasci, já na segunda metade do século 20, a televisão ainda não era um fenômeno de massa. O aparelho incomodava, e muito, à estética das casas de classe média. Na casa dos meus avós e em tantas outras a TV ficava na sala, dentro de um armário, que só era aberto em determinadas horas do dia.

Do mesmo modo que a família se reunia a volta de uma mesa, para fazer as refeições, também se reunia no sofá, para assistir aos telejornais, novelas, desenhos animados e seriados oferecidos por não mais que três canais.

Naquele tempo as mulheres alisavam os cabelos com o ferro de passar roupa. Já havia a minissaia, mas esta não ia para a universidade e como assunto, estava restrito as colunas especializadas em moda. Nunca ao noticiário policial. O assunto mais comentado era o “escrete” para a copa de 70. Os noventa milhões de técnicos tupiniquins eram felizes e não sabiam. Podiam escalar uns três times de craques, pelo menos.

O governo nos desafiava a amar o Brasil ou então deixá-lo. Mas quem amava, muito e profundamente nossa nação de chuteiras, era muitas vezes obrigado a deixá-la.

Nesta época a censura era declarada. Antes de qualquer programa, a tv exibia um papel cheio de carimbos e assinaturas, com o brasão da república, que determinava, quem podia assistir àquele programa. Os pais seguiam, a risca, a indicação de idade “sugerida” pelo censor. Se o filme era dublado, depois daquele papelzinho da censura, ouvia-se uma voz grave: Versão Brasileira: Herbert Richers.

Na verdade todos ouviam versão. Eu ouvia terção. Durante muito tempo, fui motivo de chacota, por causa deste erro bobo. – Como é mesmo Mirandinha? Terção brasileira? E... quaquaquaqua quá!

Passadas quatro décadas, o aparelho de televisão não incomoda mais. Pelo contrário nos dias de hoje, símbolo de status, a têvê faz parte da decoração da sala. É pendurada na parede, pelos mais festejados decoradores. Onde antes ficava uma obra de arte atualmente fica uma tv de plasma. Agora, há também quem leve a tv no bolso da mesma maneira que antes, carregava o maço de cigarros. A censura, não é mais declarada é discutida, e como! Surgiu o videoteipe, a tv digital. Mas ainda ouço a mesma frase, falada com a mesma voz, no início de muitos filmes e desenhos animados.

A empresa, criada pelo brasileiro de nome estrangeiro nascido em Araraquara,São Paulo, possui um dos maiores estúdios de dublagem da América Latina e é responsável por grande parte da dublagem dos filmes exibidos ainda hoje na televisão brasileira.

Herbert Richers morreu no último dia 21, no Rio de Janeiro, mas o show tem que continuar e toda vez que eu ouvir a frase patriótica vou me lembrar dele e da minha infância também.

Miranda


Na oficina da crônica ninguém sabem quem é quem e isso torna esta oficina muito divertida,. Eu uso o apelido de Miranda e as vezes finjo que sou homem, para disfarçar bem.


quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Obrigada


Queridos,
Maria Augusta, Ricardo, Chica, Bel e Mina,
Muito Obrigada pela lembrança. Espero poder encontrá-los pessoalmente neste ano que virá. Um beijo para cada um da Paçoca!!!

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

É hoje!!!!!


Um dia lindo. Acordei as meninas e fui logo ganhando um beijinho e um abraço de aniversário. Delicioso! Depois o marido ligou, ia começar a caminhada de uma das torres do "W" de Torres del Paine (Chile). E agora liguei o micro e recebi um bilhetinho do papai e da mamãe. Que segue abaixo:

Querida Loura,
Mãe de Camila e Mariana, Mulher do aventureiro Lopes,

Eu ia desenhar uma flor para você. Mas, logo desisti. Venho desenhando flores para muita gente e isto se tornou muito banal.
Assim, resolvi dedicar a você uma flor diferente de todas as outras - que brotasse das palavras, não desbotasse ou murchasse. Comecei pela forma. A fiz, ao mesmo tempo, esguia e cheia , elegante , mimosa. Seu caule tem espinhos pequenos, mas agudos. Recende a mais misteriosa essência oriental, exótica e persistente, cheira também a chocolate.
Em dia de ventania e tempestade, seu aroma fica mais intenso para prodigalizar encanto pela natureza em convulsão. Suas cores refletem seus estados d’alma: Amarelo alegria, vermelho paixão, verde tristeza, roxo revolta e azul ilusão.Mas, estas cores compõem-se harmoniosamente. Nenhuma é dominante , alteram-se com as luzes do dia ,como as pessoas ,os passarinhos, outros animais e plantas. Como você lourinha!!!
Seu pai-Rio,18 de Novembro de 2009
Minha filha querida, Como não sei versar e sim mais ou menos conversar, vai então “Aquele abraço!” Paz, saúde e alegria!.
Sua mãe



segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Rapidinhas


O marido viajou para o Chile. A passeio. Me deixou aqui com: duas adolescentes, um hamster, um montão de mudinhas de plantas para regar e não deixar morrer de jeito nenhum com o calor que está fazendo. Eu que já não tinha tempo agora vou ter que me multiplicar. O marido acha que eu sou uma super-heroína e vou dar conta de tudo! Bem que algum de vocês podia me ajudar! Mas porque moram tão longe? Saudades de vocês e de mim também. Quarta-feira é meu aniversário e eu completo literalmente mais uma primavera (45 no total). Vou tentar fazer uma postagem bem bonitinha!

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Uma cigana na parede



O deprimido é um ser rejeitado, até por ele mesmo.

Ninguém gosta de estar deprimido, ou de estar ao lado de alguém deprimido.

Eu sei o que é isto, já estive dos dois lados.

Para o deprimido tudo é difícil: o muro é muito alto, a dor é muito grande, a noite é muito longa.

Depois de seis anos, em morna, depressão, consegui, com muita luta, e com a ajuda do Dr. Freud e de sua fiel assistente (minha analista), sair deste estado da alma, que a muitos parece frescura, mas não é.

Deprimida havia me perdido de mim. Não me reconhecia mais, nem fisicamente. Meus cabelos não eram mais cor de mel, minhas roupas não me cabiam mais e o sorriso no rosto, marca registrada desde a infância, não estava mais lá.

Só uma coisa não mudou: a minha admiração pelo que é belo, pela arte.

Ainda bem tristinha, tomei coragem e fui viajar sozinha.

Hospedada em uma pequena cidade do estado de Nova Jersey (EUA), sempre que podia pegava o trem bem cedinho, parava em Hoboken (NJ), subia uma escadinha e pegava o path que me deixava na 33, bem no coração de Manhattam.

Não é fácil ser feliz, não é fácil ser livre. Passava os dias subindo e descendo aquelas ruas, sem saber muito bem o que fazer com tanto tempo e tanta liberdade.

Perdida, não conseguia nem almoçar. Comprava duas barras do chocolate

"Crunch com caramelo", uma "Pepsi "e assim passava o dia todo. Quando cansava, entrava numa livraria e, no ar condicionado, cercada dos melhores amigos de um deprimido: os livros,descansava.

Depois de umas duas semanas, já conseguia planejar alguma coisa. Fui ao Moma, ao Museu de História Natural, entrei em várias galerias de arte, no Soho. Almocei em Little Italy, um nhoque inesquecível.

Tão longe das minhas coisas, da minha, nada invejável, rotina de dona de casa, aos poucos fui me reencontrando.

O acaso, às vezes, me dava um empurrãozinho. E, foi por acaso, que eu vi uma exposição de quadros do meu predileto: Amedeo Modigliani.

Naquele dia, pretendia ir ao Guggenheim, cheguei até a porta e resolvi não entrar, ia almoçar primeiro e voltaria depois se fosse o caso.

Indecisa, sem saber o que fazer e aonde almoçar, (onde comprar meu "Crunch") ainda pela Quinta avenida, andei mais dois quarteirões e vi uma fila enorme. Entrei na fila, para dar um tempo enquanto pensava.

Sorte a minha, a fila era para entrar no Jewish Museum, onde havia uma exposição das obras, dele mesmo: Modigliani.

De repente, fui invadida por uma alegria e uma felicidade que não cabem em depressão nenhuma.

Esperei a minha vez, entrei no museu e não tive mais medo de ser feliz.

Dei voltas e voltas naqueles salões repletos de lindos retratos.

Os retratos, de Modigliani, são diferentes. Seus retratados ficam lindos com o olhar do artista. Ele é generoso. Os nus, apesar de terem escandalizado na época, são puros e sensuais. Isso já seria o bastante para que ele fosse o meu predileto.

Alguns meses mais tarde, de volta ao Brasil, passando por uma ruazinha, aqui mesmo em Botafogo, bem pertinho de casa, na porta de um brexó, dei de cara com um pôster que retratava uma cigana com uma criança nos braços. Não via esta imagem desde os sete anos de idade. Um pôster igualzinho enfeitava a parede, da sala de jantar, da casa da minha infância. Reconheci o traço, cheguei mais perto e li a assinatura: MODIGLIANI.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

snifff



Quando não tenho tempo de postar fico muito infeliz. Fico com saudades dos amigos que sempre passam aqui. O fim de semanna foi ótimo, eu e as meninas nos divertimos muito! Jogamos, cozinhamos, assistimos a filmes água com acúcar (ou será sal? por causa das lágrimas!). O marido treinou para uma aventura que le está indo fazer no Chile em breve. O cachorro, comeu dormiu e ganhou muito carinho!
A happy family is heaven on earth!!!