terça-feira, 29 de setembro de 2009

Que Mico!!!

imagem do site biologias.com


Micos são pombos sem asas. Quem já não ouviu alguém falar que tem horror a pombos, que pombos são como ratos com asas? Sempre que defendo os pombinhos, ouço alguém dizer: Eles transmitem doenças. Ao que eu respondo prontamente (tenho essa mania de, aliás são duas: falar sem ser solicitada e dar respostas imediatas) repito por causa do parenteses aqui ao lado que ficou enorme. Os pombos transmitem doenças, resposta rápida: os seres humanos também, dependendo do humor exemplifico com uma doença mais ou menos assustadora. O único animal racional transmite entre outras coisas, digo doenças, gripe, catapora, sarampo, tuberculose, aids. Se os pombinhos transmitem doenças, perdoem os pobrezinhos pois eles não sabem o que fazem. Já os seres humanos...

Domingo de sol primaveril na cidade mais feliz do planeta; e também a mais bonita; e a mais mal tratada, fui caminhar na Urca. Este bucólico bairro da cidade maravilhosa, tem um quê de cidade do interior, só que com a imensa vantagem de estar à beira mar. As ruas são arborizadas. O comércio é pequeno, só com o suficiente para que o morador possa ter um certo conforto. Um lugar um tanto aprazível para se morar, sem espigões,com a exceção dos prédios cosntruídos para moradia dos militares. É na Urca que está um dos lugares que eu mais gosto de passear (e infelizmente cada vez mais pessoas gostam também). A pista Claudio Coutinho.

Antes chamada de o Caminho do Bem-te-vi, a pista tem 1.250 metros de extensão, e circunda os morros da Urca e Pão de Açúcar pelo lado externo, voltado para a saída da Baía da Guanabara. Além da vista, do barulhinho do mar estourando nas pedras, das borboletas, do verde, das bromélias, dos tiê-sangue e da pasmem: segurança (garantida pela proximidade com o exército e a marinha. Tem também muitos miquinhos.

E é justamente aí que eu queria chegar. Nos miquinhos. No primeiro parágrafo eu disse que micos como pombos sem asas. Sabemos que os pombos não são originários do Brasil (já li em algum lugar que foi com D. João VI que eles chegaram aqui). De tanto ter comida fácil,os pombinhos foram se amando se amando e quanto mais amor fazem menos os humanos gostam dos pobrezinhos que já não são considerados símbolos do amor e da paz e sim uma praga que deve ser exterminada, ou esterelizada.

Domingo lindo de sol primaveril enquanto fazia minha caminhada para relaxar no caminho do bem-te-vi pude encontrar verdadeiras pragas de seres humanos, que alimentavam os miquinhos com bananas e tiravam milhares de fotos. Vi até uma mulher que fez um close com a maquininha digital (outra praga bem na cara do miquinho. Com o prazer da gula satisfeito, os miquinhos não precisam se dedicar a procurar alimentos e podem se dedicar aos prazeres da carne e se multiplicarem. A gestação de uma mica leva apenas 150 dias e rende dois filhotes.

Gostaria de continuar amando os miquinhos e não querendo vê-los mortos, portanto, por favor resista: Não alimente os animais.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

O dever de casa

Ontem, dia mundial sem carro, as ruas estavam repletas de veículos automotores. Confesso que do alto das minhas 44 primaveras ainda me surpreendi com a pouca adesão do carioca. Não custava nada. Era só deixar o carro em casa e ir de ônibus ou de metrô, ou andar um pouquinho a mais.
Tem coisas que parecem ser de uma facilidade, de uma simplicidade ululante, mas na verdade são de uma impossibilidade hedionda. Posso citar como exemplo, o meu umbigo, digo, a minha casa.
Minhas filhas não conseguem em hipótese alguma colocar os sapatos no armário. Chegam da escola tiram os tênis e deixam na sala. Tenho certeza que para qualquer ser humano comum o trabalho que elas tem em colocar o tênis na sala, é o mesmo que colocar no armário. Mas não tem jeito, os sapatos são movidos a grito.
O lixo nas ruas por exemplo: Não custa nada não jogar lixo na rua, mas no entanto as ruas estão uma verdadeira lixeira a céu aberto. E o pessoal que tem cachorro e se dá ao trabalho de recolher o coco, colocar num saquinho e depois jogar o saquinho com o coco no chão. Você aí que não mora no Brasil não acredita? mas é a pura verdade.
Mas eu sou a última romântica e acredito piamente que podemos melhorar um pouquinho a cada dia.
E se você não fez a sua parte ontem, não tem problema, faça hoje. Com certeza qualquer ação vai contribuir para um mundo melhor para você mesmo, mesmo que você ache que não é merecedor de um mundo melhor.
Ou você é do tipo que acha que os políticos não fazem nada.
O video a seguir eu peguei na Maria Augusta, que pegou no youtube.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Fazendo a minha parte

Este mês estou participando de uma gincana entre blogs- veja o banner ai ao lado. A Primeira tarefa é:
TAREFAS DA 1º BlogGincana (15 de Setembro, de 2009 )
As TAREFAS poderão ser cumpridas ao longo dos próximos 28 dias, até 13 de Outubro. Os inscritos que não se sentirem aptos a cumpri-las, ou por qualquer outra questão não queiram, nada contra. Seus blogs são muito importante para formarem o universo dos blogs, sobre os quais, os participantes ativos, irão atender às TAREFAS. E como essa é a primeira rodada, as TAREFAS são simples e poucas. Iremos aumentando o número e dificuldade ao longo dos próximos meses. Dito isso, vamos a elas:


1º Colar o banner, em seu post, para identificar sua participação.
2º Colar no sidebar o banner com o link do seu post/tarefa.
3ºCumprir as seguintes tarefas:

1º TAREFA - Escolha, entre os inscritos, os dois ou três blogs que mais te agradaram, e diga:

a) O por que?

b) Se já os conhecia, ou se esta visitando-os pela primeira vez?

c) Escolha uma imagem postada nesses blogs, que os represente, copie e poste junto com suas respostas.
Lembrem, sempre, de fornecer o nome e link dos blogs citados.

O último Blog.



O autor eu já conhecia: Cimitan Eduardo P.L. Se muito não me engando ela já esteve em pampa-linda virtual. Eduardo é um bloggeiro bastante experiente. Mas o que me fez parar para ler, foi a palavra crônica na primeira frase da postagem do dia 17 de setembro. Eu que me sinto cronista, li não só aquela postagem que falava sobre um livro que ele estava lendo do ruy castro. Eduardo é despretencioso e eu gosto disto.

Côté cour Côté jardin
A autora chama-se Maria Augusta, mora em Nice, gosta de arte e fala com simplicidade do que vê dos lugares que frrequenta dos seus gostos. Gostei muito. A foto é de uma exposiçao de emille gallé que Maria Augusta visitou. Ela tem o bom gosto de falar um pouco sobre art nouveau e sobre o trabalho de gallé.
E finalmente destaco também o blog da ju gioli, artista plástica
De cara já gostei da foto da postagem ( acho que blog é isto, imagem e texto, pensamento, imagem e letras. è a foto de uma bilioteca, onde não há letras. O texto era sobre dostoievski (ju acha impredível o livro : notas do subterraneo) Tem também as fostos de uma viagem que ela fez a portugal, com cores e texturas interessantíssimas.

São muitos blogs interessantes. Vale a pena. Beijos da paçoca

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

O afilhado do Tio Tonico



Fim de tarde. Fim de inverno. Fim de agosto. De repente os postes ficam repletos de cupins alados. O carioca já sabe: vem chegando o verão. Na verdade ainda falta pouco mais de uma quinzena para o início da primavera, mas o calor, que ainda não é o senegalês, já nos convida para a praia, para os aplausos ao por-do-sol no arpoador, para tentar dar um fim na barriga caminhando no calçadão regado a muita água de coco.
Fui fazer umas comprinhas, para o jantar, enquanto esperava minha filha sair do inglês. Peguei o que precisava e o que não precisava e entrei na fila para pagar. Na minha frente só tinha um rapaz, muito alto, muito magro. Não tenho certeza se o rapaz era o único que estava à minha frente na fila, me distraí com os cupins do primeiro parágrafo.
Primeiro notei o carrinho do tal rapaz. Fico reparando no conteúdo do carrinho de compras e imaginando como é aquela pessoa. Tem uns tipos de carrinhos que já são previamente classificados por mim: Carrinho de pessoa normal (arroz feijão farinha,batata, frutas legumes, sabonete,água sanitária...). Carrinho de mãe (acrescentando ao anterior biscoitos, balas bombons e iogurte). Carrinho de mulher solteira. Carrinho de solteira em busca de marido (alface, água e cremes). Carrinho de casal novinho (todo arrumadinho, por departamentos e com alguns artigos para casa, paninhos novos uma pá de lixo moderna) E tem uns carrinhos do tipo óvini. Não dá para imaginar o que o consumidor vai fazer com o que está adquirindo. O carrinho do meu antecessor era esquisito. Tinha umas cinco caixas de limonada pronta.
Falei em limonada pronta e vou ter que fazer um parágrafo só para quem compra limonada pronta. Todo mundo sabe como fazer: - me dêem um limão e eu faço uma limonada! Simples assim. Você pode espremer o limão com a mão mesmo, acrescentar água e no máximo usar uma colher para colocar o açúcar e mexer. Quando terminar é só passar uma “aguinha” no copo e na colher. Já a limonada pronta requer embalagem do tipo longa vida, caminhão de entrega, rótulo, propaganda, enfim um montão de coisas que não combinam, em nada, com o rapagão alto, de cabelos desgrenhados (ele tinha um quê de ecoboy) camiseta curtinha e calça jeans deixando aparecer um pedaço da cueca.
Larguei de lado os irritantes cupins e passei a prestar atenção ao ecoboy de um metro e noventa, amante de embalagens longa vida. O rapaz falava bem alto ao telefone enquanto tirava as desnecessárias embalagens longa vida do carrinho, que com certeza o encheriam de orgulho quando fosse separar o lixo doméstico e as ,repito, desnecessárias embalagens longa vida ficariam no quesito ecologicamente correto: reciclagem.
- Na verdade tia, nós só colocamos a lista nessas duas lojas. O nome de uma loja era em inglês e o da outra em francês. –Na verdade tia (ele repetiu, não fui eu desta vez) você pode comprar pelo computador é só acessar o site clicar no produto, dizer o número do cartão de crédito ou pagar pelo boleto bancário.
-Não tia, nesta loja, ainda não colocamos a lista.
Notei que o supermercado todo acompanhava a conversa. As pessoas se entreolhavam e faziam expressões das mais variadas.
-Na verdade tia (rapaz insistente este), o presente, em si, não chega pra gente. A loja nós dá um crédito e nós compramos o que queremos. A fila se entreolhou decepcionada.
Sinto que estou ficando velha muito menos pela obviedade do aspecto físico, das insistentes e malditas cãs, das gordurinhas, do que quando me deparo com alguma modernidade inaceitável. Então o rapaz faz a lista, dá o endereço eletrônico para a tia que compra o regalo e ele pega o dinheiro e compra o que quer! Também me sinto uma anciã quando reclamo de quem compra suco em embalagens longa vida.
-Mas não se sinta obrigada, tia, a comprar nestas lojas, é só uma sugestão. Até porque o tio Tonico é meu padrinho.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Desculpe-me a demora




Ia eu contando como foi a tarde de sexta-feira. Tive que parar, fui para o sítio, voltei e só pude postar novamente hoje- como se pode perceber!
Na verdade, não sei se conisgo terminar o relato com aquele climinha de final de semana. Mas vamos lá:
Julinha, meninha, birrenta e mimada, de vestidinho roxo com capuz,tipinho mignon, inquieta que estava, começou a reclamar de frio. Na verdade algo incomodava Julinha além do friozinho gostoso do ar condicionado. A menina estava de pernas de fora, e magrinha como era, não tinha aquela camadinha de gordura, que nós, os gordinhos, odiamos, mas que nos aquece.
Julinha só parou de reclamar, fazer birra, dar ordens à sua avó, que tinha paciência de jó, quando sua torta de queijo chegou e sem morangos!
Ah! tá bom, vou confessar ela reclamou, mas só mais duas vezes: a massa da quiche estava dura( e estava mesmo) e ela tinha sede, mas que a água viesse sem bolinhas, que o tipinho mignon detestava.
Fiquei pensando porque a menina reclamava tanto e parecia um tanto séria e insatisfeita? Cheguei a conclusão, mas não sei se estou certa, que Julinha provocava a paciência da vovozinha em busca de limites. Alguém naquela família afinal, teria que ter coragem de dizer-lhe um não redondo. Julinha estava cercada de covardes que ao menor beicinho já morriam de medo e cediam. A menina ficava um tanto insegura, quem conseguiria protegê-la, se não a protegiam nem dela mesma?
De repente, compreendi todos os meus coleguinhas de infância mimados que eu tanto detestava. Coitadinhos eram mimados e não tinham quem os protegesse, eram inseguros.
Termino como comecei: Sempre detestei crianças mimadas. Não detesto mais. Márcia Lopes

sábado, 29 de agosto de 2009

Uma tarde com Júlia

Sempre detestei crianças mimadas. Agora não detesto mais!
Ontem, depois de muito tempo com problemas domésticos, tive uma tarde só para mim. E eu gosto muito de mim. Generosa que sou, depois de fazer uma visita de rotina à dermatologista, fui lanchar num café que eu adoro. O Lugar é bem pequeno no máximo dez mesinhas mínimas de dois lugares. O cardápio não tem grandes pretensões, mas é por isso mesmo que me atrai. Tudo é feito lá mesmo e na hora. As garçonetes estão sempre impecáveis e com um sorriso de quem gosta do que faz e é bem tratado pelos patrões.
Costumo ir a este café com uma amiga, acho que já contei isto aqui em outra postagem, e sempre pedimos um soufflle de queijo de cabra com saladinha verde. Mas, ontem, eu, como diria marinaw, estava muito boazinha comigo e fui sozinha.
Timida, que insisto em ser, entrei e sentei logo na mesinha perto da porta, assim não correria o risco de esbarrar em nada e ser notada e ficar vermelha. Antes mesmo de fazer o pedido, me pediram para trocar de lugar e foi aí que eu sentei ao lado dela.
Um tipinho mignon que não deve ter completado mais do que cinco primaveras. Usava um vestidinho roxo com capuz e estava sentada de fronte a sua vovozinha. Vovozinha que não tinha nem cabelos brancos, nem era gorducha e nem arrastava os pés. Vovozinha para lobo-mau nenhum botar defeito.
Fiz logo meu pedido: Sanduíche de presunto parma, brie e lascas finíssimas de maçã verde na baguete. Minha vizinha de mesa, não sabia o que queria. A vovozinha com uma paciência de avó, oferecia de tudo e a menina não se decidia. Tive que afastar a minha mesa umas duas vezes para Julinha (descobri o nome do tipinho mignon de capuz roxo) ir ao balcão para ver o que a apetecia. Finalmente a vovó fez o pedido e Julinha com medo de ficar sem nada também pediu. Na verdade as duas pediram a mesma coisa: A vovó quiz doce e a Julinha salgada: uma cheesecake e um quiche.
Me distrai um pouquinho, observando a delicadeza e a simplicidade da mesinha. O portaguardanapos é um regardozinho e tem também um mínimo vazinho com umas flores amarelas(naturais).
O pedido da vovó, já estava pronto e chegou antes. A julinha não gostou nada e ficou indignada de ter um morango em cima da torta. Reclamou, bateu pé, fez birra e até chorou. A vovó, com uma paciência de avó, nem se abalou. Disse mais de cem vezes que aquele não era o pedido dela, que o dela não tinha morango e viria depois.
Falar em depois - 1000 desculpas, mas não vou poder terminar a minha historinha agora. Preciso sair.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Eu também



Publico aqui texto da Danuza Leão.


"Quem tem medo da doutora Dilma?
Ela personifica, para mim, aquele pai autoritário de quem os filhos morrem de medo, aquela diretora
VOU CONFESSAR:

morro de medo de Dilma Rousseff. Não tenho muitos medos na vida, além dos clássicos: de barata, rato, cobra. Desses bichos tenho mais medo do que de um leão, um tigre ou um urso, mas de gente não costumo ter medo. Tomara que nunca me aconteça, mas se um dia for assaltada, acho que vai dar para levar um lero com os assaltantes (espero); não me apavora andar de noite sozinha na rua, não tenho medo algum das chamadas "autoridades", só um pouquinho da polícia, mas não muito.Mas de Dilma não tenho medo; tenho pavor. Antes de ser candidata, nunca se viu a ministra dar um só sorriso, em nenhuma circunstância.Depois que começou a correr o Brasil com o presidente, apesar do seu grave problema de saúde, Dilma não para de rir, como se a vida tivesse se tornado um paraíso. Mas essa simpatia tardia não convenceu. Ela é dura mesmo.Dilma personifica, para mim, aquele pai autoritário de quem os filhos morrem de medo, aquela diretora de escola que, quando se era chamada em seu gabinete, se ia quase fazendo pipi nas calças, de tanto medo. Não existe em Dilma um só traço de meiguice, doçura, ternura.Ela tem filhos, deve ter gasto todo o seu estoque com eles, e não sobrou nem um pingo para o resto da humanidade. Não estou dizendo que ela seja uma pessoa má, pois não a conheço; mas quando ela levanta a sobrancelha, aponta o dedo e fala, com aquela voz de general da ditadura no quartel, é assustador. E acho muito corajosa a ex-secretária da Receita Federal Lina Vieira, que está enfrentando a ministra afirmando que as duas tiveram o famoso encontro. Uma diz que sim, a outra diz que não, e não vamos esperar que os atuais funcionários do Palácio do Planalto contrariem o que seus superiores disserem que eles devem dizer. Sempre poderá surgir do nada um motorista ou um caseiro, mas não queria estar na pele da suave Lina Vieira. A voz, o olhar e o dedo de Dilma, e a segurança com que ela vocifera suas verdades, são quase tão apavorantes quanto a voz e o olhar de Collor, quando ele é possuído.Quando se está dizendo a verdade, ministra, não é preciso gritar; nem gritar nem apontar o dedo para ninguém. Isso só faz quem não está com a razão, é elementar.Lembro de quando Regina Duarte foi para a televisão dizer que tinha medo de Lula; Regina foi criticada, sofreu com o PT encarnando em cima dela -e quando o PT resolve encarnar, sai de baixo. Não lembro exatamente de que Regina disse que tinha medo -nem se explicitou-, mas de uma maneira geral era medo de um possível governo Lula. Demorei um pouco para entender o quanto Regina tinha razão. Hoje estamos numa situação pior, e da qual vai ser difícil sair, pois o PT ocupou toda a máquina, como as tropas de um país que invade outro. Com Dilma seria igual ou pior, mas Deus é grande.Minha única esperança, atualmente, é a entrada de Marina Silva na disputa eleitoral, para bagunçar a candidatura dos petistas. Eles não falaram em 20 anos? Então ainda faltam 13, ninguém merece.

Seja bem-vinda, Marina. Tem muito petista arrependido para votar em você e impedir que a mestra em doutorado, Dilma Rousseff, passe para o segundo turno." danuza.leao@uol.com.br

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Solidão


50 mulheres denunciaram um médico de estrelas (se é que isto existe) por estupro.
Muitas alegaram que na época do ocorrido não contaram nada a seus maridos por medo.
Medo de que? do marido, de não poderem mais ter o nenê, não poderem mais ter o nene com o médico das estrelas?
Enquanto tentava entender me lembrei que o brasileiro é muito solidário.

Quem viaja pelas estradas brasileiras sabe do que estou falando. Não é raro passar por alguma estrada de mão dupla e ver alguém na contramão piscando desesperadamente o farol para avisar que tem algum perigo pela frente. As vezes é um acidente, outras animais na pista e tem gente que avisa também quando tem alguma polícia na frente, para que o infrator possa ter tempo de corrigir o erro, por um instante que seja.
50 mulheres não piscaram o farol para avisar que havia algum perígo pela frente. Não comentaram nem com seus maridos, que pagavam o que podiam e o que não podiam em busca da felicidade de ter um filho.
Mulheres que não pensaram em denunciar um ato ilícito. E porque não pensaram?
Coloco-me no lugar destas mulheres (se é que isto é possível, é fácil falar, todos sabemos).
A primeira vista vejo um problema mais antigo:
Não falaram, porque sempre que existe uma denúncia de abuso sexual existe o medo de dizerem que foi a mulher quem seduziu!
Não falaram para pouparem os maridos. Pouparem os maridos do que? Porque não se poupam?
Não falaram por medo de não poder realizar o sonho de ter um filho.
Não falaram por que por muitos motivos talvez não tivessem autoestima.
Autoestima palavrinha um tanto vulgarizada. A publicidade nos promete o tempo todo melhorar a nossa autoestima.
Vale de tudo:
Emagrecer, pintar os cabelos, alisar os cabelos, acabar com a celulite, rejuvenescer, melhorar o desempenho sexual, comprar um brinco novo, ter um aparelho de celular de último tipo, branquear os dentes etcetera e etcetera.
Voltando ao fato do brasileiro ser muito solidário:
Essas mulheres não imaginaram que poderiam estar evitando que o fulano (não consigo arranjar um adjetivo para este ser) fizesse com outras mulheres o que fez com elas?
Comecei dizendo que o problema do brasileiro é falta de ética, mas agora vejo que primeiro precisamos resolver o problema de autoestima do brasileiro.
Sei que esta um pouco confuso meu texto, mas é que reflito enquanto escrevo e procuro ser justa e mais do que isso procuro entender o que aconteceu, sem julgamentos, tentando entender a dor e os impedimentos de mulheres fragilizadas, que o tempo todo tem que ser fortes. Mulheres de uma solidão absoluta, que não tem em seus companheiros alguém com quem contar, que se entregam a médicos que são monstros.
Que são induzidas a achar que existe médico de estrelas, que se não for aquele não pode ser mais ninguém (isto ó já é um tanto violento e ultajante- acreditar que só um determinado médico ou produto, poderá nos salvar a vida).
O grande problema da brasileira é a solidão. É não poder ser frágil nem sob efeito de anestesia. É estar atenta o tempo todo. Atenta e só.
Márcia Lopes

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Fecha a conta e passa a régua


Sempre fui uma pessoa bagunceira! Invejo descaradamente minhas amigas que tem seu armário arrumado, sabem onde estão as chaves do carro, acordam de manhã e o chinelo está ao lado da cama no lugar certinho, podendo ser calçado sem esforço: é só sentar-se de lado e encaixar os pés. Simples assim.

Na adolescência, minha mãe (que não é nada organizada, mas se acha) quando estava de mau-humor dizia que só poderíamos sair, se o quarto estivesse em ordem. Acontecia que a bagunça era tão grande e ela só avisava em cima da hora que nem se quiséssemos daríamos conta. Eu e minha irmã (começo a achar que existe um gen específico para falta de organização) jogávamos tudo dentro do armário, sem dó nem piedade e pronto: nós fingíamos que arrumávamos e mamãe fingia que acreditava.

Na verdade eu tinha preguiça até de jogar aquela bagunça toda dentro do armário e ficava imaginando maneira mais fácil de deixar o quarto organizado. Não raro me ocorria a idéia de botar fogo em tudo e depois varrer as cinzas. Era só um desejo inconsequente, coisas de adolescente...

Foi assistindo aos parlapatões (palavra de senador) que me lembrei desta vontade de botar fogo em tudo e varrer as cinzas.

Os escândalos são tão grandes e tantos que parece até a moda da minissaia ou do biquini, no começo todo o mundo fica escandalizado e de tanto ver e falar, nos acostumamos e aí diminuem os biquinis, as mini-saias e a crítica.

Creio que o maior escândalo do caso Sarney não são as acusações a ele atribuídas (infelizmente nos acostumamos) mas sim os seus defensores, encabeçados pelo presidente da república antes rival vitalício do destemperado ex presidente e também, defensor.O que será que eles vão ganhar com isso para se exporem desta forma?Sempre achei que o prejuízo moral é irreparável já o material...

domingo, 2 de agosto de 2009

Eu voltei


Não,
a pintura ainda não terminou. Mas o escritório já está pronto (quase) e o micro pode ser ligado. O Domingo é de sol no Rio de Janeiro. Li a crônica do Veríssimo no globo de hoje e adorei. Descobri que o Joka P. se rendeu ao twitter! Li algumas tertúlias e os comentários que também são ótimos. O Anderson do turbilhão de sentimentos, acho que trancou a faculdade e esta com mais tempo para postagens. Minha irmã passou uns dias aqui no Rio e foi ótimo, pena que o que é bom dure tão pouco. Mas por outro lado o que é bom permanece nas lembranças. O Sarney resiste e insiste, o Lula dá tapas e beijos, sismou de eleger a dilma para se perpetuar no poder. O lula Também não se cansa de xingar a classe média que lutou a seu lado pela liberdade de expressão, pelas eleições diretas e contra oligarquias como a da Família Sarney. Como se não bastasse tudo agora estão mexendo com a censura. Não tive tantas decepções com o Collor, como estou tendo com o governo Lula. E que tudo o mais vá pro inferno. Inverno besta, com frio e chuva. O carioca não gosta!

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Socorro

A minha casa continua pintando e agora eles, os moços, estão no escritório e desmontaram tudo... Saudades Márcia Lopes
Como diria a Oprah Winfrey I'll be rigth back, acho que dia 28 estarei de volta. Não me abandonem...

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Das forças da Natureza



Tem dias em que eu acordo e
Parece que engoli um
oceano

As ondas
Estouram no meu peito
Sua água salgada me escorre pelos olhos
Uma melancolia...
Uma fúria devastadora.

Esta noite eu sonhei que
uma tissunami invadia copacabana
e atingia o prédio que eu moro
Do outro lado do
Morro

Tem dias que eu acordo e
Eu engoli um oceano em fúria
Tem dias em que eu acordo e
Um oceano me invade

Tem dias em que eu acordo e
Sou um navio naufragando
Ondas enormes me partem, me batem
Nunca vi tanta fúria
Ondas enormes me invadem
Ondas espumam de raiva
Eu em naufrágio
Tem dias em que eu acordo
E...
Tudo o que me resta
È o desejo de calmaria
Tem dias que simplesmente
Nem acordo,
Mas ainda assim
Há um mar revolto lá fora

Tem dias em que eu acordo e
Engoli uma floresta em chamas.
Vou ardendo o dia todo
Que dor
O fogo é furioso
Implacável
me cega
me toca
me arde
Vai queimando tudo
E me deixa um vazio por dentro
Mesmo quando passa a dor
do arder e não do ardor

Tem dias que não há mais o que queimar
Só há chamas
Tu não me chamas
Tu não me amas
Ninguém me ama (não resisti)

Tem dias que eu não devia acordar
Tem dias que são cinzas
Queria acordar cinzas


Tem dias em que eu acordo e acredito que engoli um
Vulcão em erupção
Vulcão que eu acreditava já estar
Extinto
Vulcão que já deveria ter se transformado em
pedras
Antigos rancores e ressentimentos
Mágoas de berço,
Mágoas da vida inteira.
As vou guardando
Até não poder mais
Reter
E de repente vem,
Vem nos dias em que eu acordo e
Certamente engoli um vulcão em erupção
As mágoas e rancores se transformam em
Ódio,
Só quem odeia sabe como
dói
Como impede como limita
O vulcão erupe
E eu me vejo derramar em fogo
Velhas mágoas que não viram
pedras
E que me atiram às
pedras
Não posso com esse vulcão
me doem as
pedras
que me atiram
Eu me
atiro
Se não me
Retiro. Explodo. Queimo
A tudo e a todos
Sou implacável
Não me poupo
Depois de
Tudo
Só me
Resta
Virar
Pedra
Vidrar


Tem dias em que
Eu acordo e
Engoli
Um barril de Pólvoras
Pólvora
Fininha
Explode
Aos pouquinhos
Explode o tempo todo
Dói
Não alivia
Apenas doi
Destroi
Corroe
Engoli Póvora
Estouro
Mas,
Também
Tem dias em que eu engoli
Pólvora e
Grito fogos de
Alegria
Brilho
estrelas libertadoras
O
Bom
É que sempre
Tem um dia depois do
Outro
Com ou sem
Pólvora
Com ou sem fogos de artifício.

Tem dias em que acordo e
Estou sem as
Asas
O muro é alto
A parede escura e
Estou sem asas
Acordo e estou pesada
Acordo
Pesada e sem asas
Pesada não posso voar
Sem asas
Não posso imaginar
Tem dias em que eu acordo
E o meu pensamento precisa de rampa

Tem dias em que eu acordo e
Sou uma fazenda
Centenária
Cheia de portas e janelas
Amanheço
As portas me batem na cara
E as janelas nunca se abrem
Não me recordo o porquê
Jung lembra
Freud explica
Memória centenária
Mágoa de outrem
Pecado original
Tem dias em que acordo e não
Recordo
As janelas nunca abrem
As portas me partem
Eu parto.

Márcia Lopes (não corrigi,não terminei...) aceito sugestões!!!

domingo, 12 de julho de 2009

Tinha guacamole sim!!!


Há pouco menos de um mês, quando dizia que ia fazer uma festinha mexicana para reunir a família a pergunta era sempre a mesma: Vai ter guacamole? Meu irmão caçula dizia: - se não tiver guacamole nem entra. Ameaçada! E querendo agradar a todos, inclusive a mim, pedi ao marido que não esquecesse de trazer de pampa-linda abacates que, apesar de modestos, iam fazer toda a diferença aos apreciadores de produtos orgânicos. O marido,obediente!, chegou com uma sacolinha cheia de abacates, que eu deixei num cantinho.


Passei os últimos dias muito atarefada com a pintura da casa, a doença da srta12 e os probleminhas de dona de casa de sempre: Compras, comida, dentista, leva e traz, bolinhos para vender etc e tal e infinito e além... E só me lembrei dos abacates dois dias antes do jantar mexicano. Apavorada corri para a sacolinha esquecida num cantinho e fui conferir se estavam maduros. Mais apavorada, notei que só havia dois mínimos abacatinhos maduros. Lembrei que vovó enrolava no jornal abacates ou bananas para amadurecer e mais aliviada enrolei tudo e coloquei no forno para ficar bem abafadinho. Covarde, nem conferi se ia dar certo.


Quinta-feira, na véspera do evento, fui com meus irmãos ao Bar Lagoa para tomar um chopinho (eu só tomei quatro!) e jogar conversa fora. Minha irmã me entregou uma sacolona cheia de produtos para o jantar mex, tacos, tortillas, chilis... e, também uma receitinha, com letrinhas em corpo 10, de uma iguaria que "eu nunca vi nem comi e só ouço falar".


Sexta-Feira chegou, a minha ajudante faltou, não pode me ajudar e eu passei o dia todo em função do jantar. Sem esquecer que era aniversário de srta 12 e de levar srta 13 para lá e para cá. Fiz as últimas compras. Em casa comecei a fazer a receitinha (corpo 10), passei o dia colocando e tirando óculos(para leitores que já passaram dos quarenta). Mas, provei e estava uma delícia. Fiz uma carninha moída com temperos mexicanos, improvisei um sour cream, cortei muito tomate muita cebola e muito coentro lavei as alfaces deixei tudo na casa do meu irmão. Ah! Antes de sair lembrei dos abacates amadurecendo com as notícias. Estavam maduros no ponto certo! Alívio!


A guacamole ficou ótima (foi minha irmã quem fez na hora) e o resto do jantar todo também. Duda meu irmão disse: -Quando vocês duas disseram que iam fazer um jantar mexicano, eu não levei a menor fé, mas esta tudo uma delícia. Vocês me surpreeenderam! E todos viveram felizes para sempre, sem contar calorias.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Só para dar um alô

Estou sem tempo de escrever.
Agora além de mãe, dona-de-casa, patroa, motorista, professora particular, estou acumulando as funções de enfermeira (srta11 pegou uma gripe que não é a do porco!), mestre de obras, compradora, decoradora e porteira. A minha casa está em obras e sou eu quem faço tudo, escolho o que comprar, embalo todas as coisas para não pegar poeira, lido com o pintor (que acha que mulher só tem dois neurônios e que os mesmos dois não servem para nada), faço o projeto do armário, da janela etc e tal e infinito e além.
Não bastasse tudo isso, minha querida irmã está no Rio de férias. Nós duas inventamos uma festinha mexicana para que ela possa estar com toda família sem ter que ir um dia na casa de cada um para agradar a todos e na verdade não agradar ninguém. Nós inventamos, ela trouxe os produtos da américa, meu irmão entra com a casa e com as bebidas e eu vou fazer o jantar. Vai me dar um trabalhão neste momento da minha vida, mas farei com todo prazer, adoro cozinhar, adoro festas e adoro reunir a família. Vou a proveitar e comemorar!!! Srta 11 a partir de
sexta-feira atende por senhorita 12.
Consegui me inscrever para a natação e já está quase na hora, vou dar umas braçadas para começar bem o dia.







sexta-feira, 3 de julho de 2009

Dois Rios


De repente a gente se torna íntimo de umas coisas. Agora estou íntima do Rio Negro e do Solimões. Não, da dupla sertaneja não, dos rios mesmo, que dividem a cidade de Manaus. Dividem a cidade de Manaus? Será? A verdade: não sei se fico tão íntima assim. Talvez eu fique sufocada com tanta notícia. Não, com tanta notícia não. Com a mesma notícia, repetida mil vezes.

Ultimamente, as notícias sobre o nível das águas do Rio Negro e do Rio Solimões, parecem até a cotação da bolsa de Nova Iorque: tem previsão e tudo. Hoje vai subir tanto, amanhã vai continuar subindo; tendência de queda a partir da próxima quarta-feira.

Na verdade, já tinha tido uma certa intimidade com a dupla: Rio Negro e Solimões, meu pai, homem culto e íntimo de muitas coisas nos contou ao jantar sobre o encontro das águas dos rios.

Naquele tempo, as famílias se sentavam à mesa para fazer as refeições. Todos os membros deveriam estar presentes. Não importava se estivessem indispostos ou sem fome ou se tivessem brigado uns com os outros. Alguém chamava: O jantar está na mesa! E, em pouco tempo, a família se reunia em torno da távola que podia ser redonda ou não
.
Lá em casa meu pai era o chefe da família. Isto queria dizer que ele se sentava à cabeceira, que o jantar só era servido quando ele chegava do trabalho e que o cardápio era composto de acordo com seus gostos e seu apetite. Ninguém questionava e todos respeitavam.

Meu pai falava o jantar inteirinho. Foi jantando que aprendi que branco é a soma de todas as cores, que preto é ausência de luz. Ouvia falar das aventuras do Saint Exupéry, do Fernão Dias Paes Leme, dos canibais do livro do Jean de Lery, ouvia-o declamar com paixão: Castro Alves. “Levantai-vos heróis do Novo Mundo! Andrada! Arranca esse pendão dos ares! Colombo fecha a porta dos teus mares!”.

Nunca fui uma boa aluna, melhor, sempre fui péssima aluna. Era considerada a burrinha da casa e por isso mesmo, ficava o jantar todo calada. Abria a boca para pedir que me passassem o pão, a água, ou qualquer outra coisa. Meus irmãos (os meninos) brincavam ou brigavam. Minha mãe dava ordens: -Pode tirar! -Traga o sal! -Senta direito menino. E minha irmã mais velha, na cabeceira oposta a de meu pai ouvia. Sempre me pareceu que meu pai falava só para ela.

Naquela época, não faltava assunto. Não falávamos de crimes, roubos, escândalos, novelas, programas de show da realidade. Não sei se era porque a imprensa tinha menos meios ou se porque a censura era implacável e não deixava passar nada, fazendo com que os editores e redatores se dedicassem mais ao texto e tivessem mais critério quanto a escolha do assunto.

Evito a censura. Sou contra alguém me dizer o que posso ou não saber, falar, imaginar, aprender. Sou a favor da autocensura. Escolher o que ler, ouvir, ver, aprender, amar, faz parte da liberdade necessária ao ser humano. Não me sinto livre, quando por causa de qualquer acontecimento banal, como a morte precoce de um ídolo pop, eu seja obrigada a passar meu dia sendo bombardeada com opiniões de uma unanimidade burra de todos os que não sabem o que é liberdade. Que não tem liberdade nem para escolher um assunto, que precisam vender. Vender uma imagem. Vender um produto. Intercalar os anúncios, com alguma notícia para justificar a existência de comerciais, de produtos que como tais notícias não interessam a ninguém.

terça-feira, 30 de junho de 2009

Azul de bolinhas brancas


Ontem fui caminhar na praia de botafogo. Fui devagarinho, pensando na morte da bezerra, tomando fôlego para começar a semana da minha vida de madame. No caminho lembrei que queria falar do filme que vi na tardinha de sábado de inverno e fiquei falando de pipocas e não falei do filme.

Na verdade o nome do filme era "Há quanto tempo que te amo". Era um filme francês daqueles que você se senta à mesa com os personagens e se sente um tanto à vontade, quase pedindo para alguém passar o sal.

Fiquei tão a vontade que fiquei reparando nos aventais dos personagens. Todos da casa participavam do trabalho doméstico, e cada avental era mais bonito que o outro. Alta costura francesa.
De repente no meio do filme, me lembrei de um aventalzinho que minha vó fez para mim quando eu era pequena, com 9 talvez, não mais que isso. Acho que vem dai minha paixão por bolinhas: O aventalzinho, na verdade era um vestidinho em tecido azul de bolinhas brancas. Era um modelinho moderno, transpassado e que tinha uma maneira toda especial de vestir. Amarrava a frente nas costas e as costas na frente. Vovó ficou contente de me fazer aquele vestidinho, e eu chorei quando o reencontrei no cinema. Chorei demais para aquele momento do filme, apesar de ser um dramalhão.


domingo, 28 de junho de 2009

Há quanto tempo te amo

Ontem fui ao cinema. Meu programa de tardezinha de sábado predileto. Me sinto a pessoa mais feliz do mundo, quando consigo arranjar um tempinho para ir ao cinema. Gosto de ir sozinha. Sou uma pessoa neurótica. Se tem alguém comendo pipoca do meu lado, não consigo curtir o filme e fico olhando para a pessoa como se ela estivesse praticando um crime hediondo.

Atualmente os saquinhos (modo de falar) de pipoca são mais compridos que o filme. Tem até tamanho "E o vento levou". Conclusão: passo o filme todo incomodada com aquele gesto banal de polegar e indicador no saquinho de pipoca e depois na boca, centenas, milhares de vezes. Minha atenção se dispersa a cada movimento.

Alguém me diagnosticou com dda que é um transtorno da moda. Já tomei até remédio, mas desisti de tentar ser normal. Agora além de neurótica, sou portadora de transtorno de déficit de atenção/sem hiperatividade. O que significa que eu não consigo prestar atenção a nada, mas fico sentadinha na cadeira.

Ontem sentei do lado de uma velhinha que comia pipocas. O saquinho tinha o tamanho normal. Provavelmente, ela, saudosista comprou o saquinho no pipoqueiro que fica do lado de fora do cinema. O saquinho era de papel manteiga e fazia um barulhinho...
Ela comia com educação, uma pipoquinha de cada vez, o que para meu cérebro era como se fosse uma sessão de tortura.

Todo neurótico acha que o que o incomoda, incomoda aos outros também. Há muito pouco tempo, descobri que não, que nem todos se incomodam com saquinho de pipoca, ou com aquele chutinho inocente vindo da poltrona detrás ou com alguém que funga no cinema. Se você funga, não vá ao cinema vá se tratar.

Continuo querendo falar do filme, mas os gulosos me distraem. A pipoquinha dos anos 30 terminou. Mas, atrás da minha poltrona tinha alguém que comprou um saquinho de sei lá o que. Só sei que o saquinho tinha um tamanho hediondo e que era moderno (barulho de papel celofane). A gorducha ( que não comia com educação), passou três quartos do filme, como se estivesse na sala de jantar de sua própria casa. Comeu o filme todo. E eu, bebendo aquele filme lindo, vez por outra, olhava para trás para mostrar que aquilo estava me incomodando muito. Ela, a gorducha só tinha olhos (bocas) para o "sei lá o quê", no saquinho de papel celofone e nem se abalou.

O filme foi ficando tenso e de repente, não se ouvia mais uma mosca, um estalar de saquinhos sequer. Todos conseguiram entrar no clima e agora parecia que só havia um espectador, a platéia silenciosa, atenta, maravilhada, comandada como num coro pelo maestro.

Confesso que pequei. Chorei um bocado e até funguei.

Não reli, não consertei os erros, porque não saberia, mas vou estudar e me dedicar para melhorar meu texto.

terça-feira, 23 de junho de 2009

Espero sobreviver


Infelizmente, na próxima quarta-feira, termina meu "curso de oficina da crônica". Espero sinceramente sobreviver. Foram oitenta e cinco dias de pura alegria, apesar de neste tempo ter vivido dias realmente difíceis. Frequentar um curso, conversar com quem tem o que dizer, ouvir , aprender, ter novas possibilidades, encontrar pessoas generosas, nem sei se eu merecia tanto. Tive que matar muitos leões por dia, para poder cumprir com as minhas tarefas de dona de casa e entregar as minhas crônicas. Muitas vezes, como hoje, tive que acordar às duas da manhã para ter paz para escrever. Precisei pedir a deus e o mundo para pegar as crianças aqui e ali, e algumas vezes elas tiveram que me esperar mais de meia hora até que eu pudesse chegar. Quem disse que é fácil ser feliz? Mas com toda a certeza é muito bom.

Nestes três meses vivi sete vidas.

domingo, 21 de junho de 2009

Prometo que vou tentar melhorar


Blogs fazem pessoas escreverem mais e pior, diz Saramago
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O escritor português José Saramago, que está prestes a publicar um livro com os artigos que escreveu em seu blog, diz acreditar que com o crescimento desse tipo de espaço na internet "está se escrevendo mais, embora pior". "A prática do blog levou muitas pessoas que antes pouco ou nada escreviam a escrever. Pena que muitas delas pensem que não vale a pena se preocupar com a qualidade do que se escreve", disse Saramago em entrevista publicada hoje pelo jornal argentino "Clarín".
28.nov.2008/Tuca Vieira/Folha Imagem
"Cuido de um post como de um romance", afirma o escritor português José Saramago
O escritor português reuniu os artigos publicados durante os seis primeiros meses de sua atividade como blogueiro em "Caderno de Saramago", um livro vetado na Itália por Silvio Berlusconi e que reflete o espírito crítico de seu autor.
"Pessoalmente cuido tanto do texto de um blog como de uma página de romance", disse o Nobel português, de 86 anos e que apresentará o livro em um encontro com blogueiros aberto a internautas de todo o mundo, no próximo dia 25, em Lisboa.
Quanto a seu blog (http://caderno.josesaramago.org/), o escritor disse que não destina ao espaço "nenhuma ideia em particular", para depois expressar que "os sismógrafos não escolhem os terremotos, reagem aos que vão ocorrendo, e o blog é isso, um sismógrafo".
"Aqueles que me leem sabem que podem encontrar-se a cada dia diante de algo totalmente inesperado", reforçou Saramago, que respondeu às perguntas do diário argentino por e-mail da Espanha, onde mora.
O autor de "O Evangelho segundo Jesus Cristo" também sustentou que não teve de lidar com a situação de criar textos que tivesse medo de publicar, e avaliou que "se o blog é um espaço para a reflexão, não deve surpreender que ilumine aquele que o escreve".

domingo, 14 de junho de 2009

Minha vida de madame, o lado bom!!!

Passei uma semana na Bahia.
Foram dias e noites lindos.
Fiz de tudo um pouco:
Fui à praia, à piscina, visitei cidades turísticas, cidades históricas, condomínios de luxo, aldeias indígenas, conversei com pintores, vendedores, nativos (os bahianos mesmo), um índio potiguara, índios pataxó (cachiló, pitauâ e juçara), argentinos, mineiros, portugueses, paulistas. Comi de tudo um pouco com destaque especial à uma autentica moqueca bahiana (em ), ao acarajé da sobrinha da marlene e às maravilhosas cocadas da tia nenzinha. Bebi muita àgua de côco, cerveja e duas caipirinhas de abacaxi ao som de muito roquenrou. Vi muitas àrvores centenárias, muita vegetação de mangue, vi os mais diversos animais: Búfalos, cavalos, bois e burros, bem-te-vi, garça, pica-pau(de cabeça vermelha), urubus, corujas, caranguejo, siri, uma sucuri enorme, gato, cachorro, tiê- sangue, sabiá-laranjeira muitas maritacas e uns grilos aterrorizantes.
Foi muito bom.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

O que é que a baiana tem?

Sei lá.
Hoje a noite estou embarcando para a Bahia, vou de avião, mas devo voltar rolando, pois vou comer muuuuiiiitooo acarajé.
Beijos da Paçoca

sábado, 30 de maio de 2009

meio sem saber


Ando meio sem saber o que postar, enquanto escolho, enquanto tento reencontrar meu equilíbrio, continuo com meus almocinhos de madame.
Sexta-feira 29/05/09
Senhorita 13 não foi a aula, teve muita febre durante a noite e como amanhã ela vai a um show que eu comprei a entrada em março, achei melhor ela ficar o dia todo de molho.
8:00hs fiz uns bolinhos de laranja lindos que pretendo vender no studio de ballet de uma amiga.
10:00 hs fui a cobal, queria comprar umas embalagens, mas a loja que eu gostava fechou.
11:00 hs fui numa loja de artesanato que eu amo, eu e uma amiga sempre que vamos até essa loja tentamos achar algo que não gostamos, e ainda não conseguimos.
12:00 peguei Srta 11 e a amiga na escola, deixei cada uma em sua casa e corri para encontrar minha amiga.
13:15 atrasadíssima quando estacionava o carro, uma outra amiga, que é amiga da minha amiga gritou da janela do apartamento: -venha até aqui tomar um cafezinho comigo. Embora eu tenha adorado o convite de cidadezinha do interior, em plena sexta-feira em botafogo, tive que recusar, convidei-a então para se juntar a mim e a nossa amiga em comum para almoçar. Ela também não pode aceitar, esperava os homens do armário, por isso estava na janela.
13:20 encontrei minha amiga, edi desculpas pelo atraso e fizemos logo o pedido: eu: sopinha de alho-poró com salmão (divina) ela: tradicional sopinha de abóbora (minha amiga, se orgulha de comer de tudo mas detesta cebola e qulquer coisa que se pareça)
Prato principal: O suflê de queijo de cabra de sempre com uma crocante salada verde. Minha amiga também é fã deste suflezinho.
Sobremesa: Nada! "estamos de dieta"
Cafezinho com língua de Gato (de brinde).
14:30 depois uma passadinha para um abraço na casa da amiga da janela. Não chamamos pelo interfone, gritamos divertidas lá de baixo e o homem do armário chamou nossa amiga.
15:00 peguei srta 11 em casa e levei na recuperação
16:00 consegui estacionar num estacionamento pago em Copacabana depois de rodar muito.
De 16 às 16:30 tentei comprar um cd do jonas brothers para srta 13 dar a uma amiga que faz aniversário por esses dias.
A livraria Argumento de Copacabana estava fechando as portas e não tinha na Modern Sound.
17:00 peguei srta 11 na recuperação.
20:30 fiz pão de queijo para a galera, e depois não me lembro o que aconteceu. Dormi vendo novela ou lendo meu novo livro do Nelson Rodrigues.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Minha vida de madame


19:30 Jantei com umas amigas, num concorrido festival de restaurantes que teve esta semana no Rio. Eu pedi: Salada de quinoa com creme de limão, feijão tropeiro com linguiça da casa e de sobremesa churros com doce de leite. Bebi duas caipirinhas.

21:30hs cheguei em casa A noite tinha sido super agradável.

1:30 da madrugada Acordei preocupada com o texto que tinha que terminar para o meu curso de oficina da crônica. Corrigi os outros textos que estava devendo.

4:30 da madrugadae fui dormir de novo.

6:30Acordei sobressaltada era dia do marido levar senhorita 13, mas ele me pediu que a levasse. 6:50 Antes de sair me certifiquei que a senhorita 11 já estava pronta.

7:00 Deixei senhorita 13 no colégio,

7:10 voltei para casa e fui dormir mais um pouquinho.

7:20 toca o interfone é o porteiro dizendo que senhorita 11 ainda estava lá embaixo esperando a mãe da amiga (Ela leva a minha filha e na volta eu trago a filha dela.)

mandei senhorita 11 subir já que ela não iria pegar o primeiro tempo. Eu a levaria às oito.

7:25 o telefone toca pela primeira vez, a amiga pediu desculpas e disse que não iria à escola.

7:27 o telefone toca a segunda vez a amiga disse que iria sim e que a levaria.

8:00 Senhorita11 desce pela segunda vez para esperar a amiga

8:15 o telefone toca pela terceira vez: Senhorita 11 não pode entrar nem no segundo tempo e teria que voltar para casa. A mãe da amiga perdeu a hora de novo (acho que ela perdeu ou o relógio ou a cabeça). Mando senhorita 11 me esperar na porta do colégio que eu vou buscá-la.

8:17 o telefone toca pela quarta vez, senhorita 11 pede para voltar de metro com a amiga da mãe que perdeu a cabeça ou o relógio. Reluto um pouco mas, deixo. Senhorita 11 pergunta quanto é a passagem do metro. respondo r$ 3.

8:25 o marido descobre que a senhorita 11 perdeu um dia de aula, tem um ataque, quer que eu ligue para a mãe da amiga e diga que a senhorita 11 não vai mais de carona com ela pela manhã. Eu digo que acho desnecessário, ela sabe que esta errada, mas por algum motivo não esta conseguindo acertar o horário.

O marido fica furioso, e diz que eu agora só penso nos meus textos e que para mim tudo o mais é desnecessário, que eu não cuido da casa, que as crianças não chegam no horário na escola, ladainha etc e tal. (perdoem o marido, ele não sabe o que fala, ele dormia o sono dos justos enquanto eu me dedicava madrugada a dentro aos meus textinhos que ele nunca leu.)

8:50 o telefone toca pela quinta vez, senhorita 11 diz que vai demorar um pouco mais, pois a coordenadora não encontrava a mãe perdida da amiga, para ela- a coordenadora-poder informar que a filha não entrou no colégio.
9:00 o telefone toca (já me perdi no número de vezes) senhorita 11 está com problemas, gastou o dinheiro da passagem do metro em uma pipoca. (Ela me disse que fez a conta errada, também sem ir a aula). Eu digo para senhorita 11 esperar na porta da escola que eu vou buscá-la.

O telefone toca é minha mãe, eu falo da minha pressa, ela diz preu não esquecer de dar vacina de hepatite b nas meninas. Eu informo que elas já tomaram há muito tempo.

O telefone toca é minha cunhada querendo saber se a senhorita 11 vai ao futebol.

9:20 pego senhorita 11 na escola, levo a amiga em casa ( o dinheiro dela, ela havia gasto com uma coca-cola, para acompanhar a pipoca da senhorita 11)

9:50 o telefone toca pela enésima vez, a senhorita 13, pede que eu vá busca-la mais cedo às 11:40

10:00 mamãe falou em vacina e eu me lembrei que senhorita 11 estava com uma vacina atrasada e não por vingança resolvi levá-la ao posto de saúde pra levar a agulhada.

11:30 saio para buscar senhorita 13.

Depois de um enorme engarrafamento chego às 12:00hs para buscar senhorita 13.

13:30: chego à casa da minha amiga e cunhada, vou dar umas dicas para ela na internet.

minha amiga fez um almocinho delicioso e light, conversamos bastante, falamos da nossa vida e da dos outros é claro.

16:00 saio da casa da minha amiga, pego o metrô para o curso de oficina da crônica

16:40 chego no curso.

19:00 saio do curso pego o metrô e quando já estou quase chegando em casa, o marido liga dizendo que a senhorita 11, ainda não chegou do inglês com a empregada. Eu volto andando pelo caminho que senhorita 11 faria e quando já estou quase lá depois do marido ligar mais uma vez, dizendo que o irmão dele já estava a caminho e não daria para a senhorita 11 ir ao jogo. Finalmente recebo a notícia que a senhorita 11 chegou em casa e que foram todos ao jogo, que Deus os tenha e que o jogo tenha prorrogação e disputa de penaltis.

Tomo uma cerveja que ninguém é de ferro e como vcs puderam notar, muito pelo contrário eu dou é muita moleza para esta gente.








segunda-feira, 18 de maio de 2009

Domingo no Rio

Passei o fim de semana na maior preguiça. Não tive ânimo nem para ir ao cinema. Li um pouco, cozinhei um pouco ( fiz um risotto ao limão) . E dormi muito. Quanto mais eu durmo, mais sono eu tenho.
Começo esta semana cheia de projetos e pelo menos não posso reclamar de cansaço.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

mas que los hay...

O Imperador
Assumindo o poder sobre a própria vida

O conselho emitido pelo Tarot vem através da imagem do arcano IV, chamado “O Imperador”, cuja imagem nos revela uma figura masculina solidamente colocada, irradiando poder e autoridade. O pedido do arcano IV é o da importância de reconhecer a própria força e não depender demais de ninguém. Sempre que dependemos do outro, o outro pode falhar conosco eventualmente e qualquer felicidade excessivamente buscada fora de nós é absolutamente temporária. Procure, neste momento, cultivar a referência do seu próprio poder pessoal e não se deixe levar demais pelos conselhos alheios. Reconheça, em si, a autoridade para comandar sua própria vida.

Conselho: Seja mais independente neste momento.
Esta é a carta que saiu para o meu dia.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Não entre nesta fria!!!!

O presidente Lula, o incentivador da gastanhaça generalizada, reduziu alguns impostos para em nome de agradar seus eleitores, não desagradar seus patrocinadores. Cada filho que puder vai correndo comprar uma geladeira.
Atenção: Não vá comprar geladeira e dizer que é O presente de dia das mães!!!
Mãe, precisa de geladeira tanto quanto você, ou você vai tomar cerveja quente e comer comida estragada?

crédito: peguei a foto no blog urbanistas.com.br

Para minha mãe


Quando eu era pequena gostava de brincar de boneca, de fazer comidinha, desenhar.Gostava de admirar o sol quentinho que entrava pela minha janela, através da cortina de palhinha chinesa e que me dava uma sensação de segurança e aconchego...
Admirava minha mãe, achava ela a coisa mais linda do mundo. As suas mãos bem branquinhas o reloginho pequeno de correia de couro bem fininha!
O seu sorriso meigo, a sua ingenuidade, a calma e a paciência. Não me lembro de ter tido raiva ou de ter ficado triste ou ainda chateada com a minha mãe. Mesmo quando ela fez algo que muitos anos mais tarde eu me visse com uma raiva que se chama trauma.
Mamãe me ensinou a ser generosa, a não ser egoísta.
A ter bom gosto e não ser fútil, ser simples e sofisticada! Bens preciosos que carrego comigo até hoje e causo muita inveja. Mamãe sobretudo me ensinou a não mentir.