terça-feira, 6 de outubro de 2009

Rapidinhas




Ando meio sem tempo, então para não abandonar totalmente meu blog, vou publicar aqui as crônicas que escrevo para a oficina nova que eu estou fazendo.
Fazem amis ou menos 30 dias que eu mandei a empregada embora. Achei que minha vida ia virar um caos, com duas meninas adolescentes e indolentes e um marido, que estando em casa, me chama 25 hours a day. Mas estava enganada. Tenho conseguido dar conta do recado. E sou muito feliz por não ter que mandar ninguém fazer nada, e nem responder a recorrente e irritante perguntinha: Dona Márcia o que a sra vai querer que faça para o almoço. Sinceramente, prefiro fazer eu mesma o almoço do que dizer o que tem que ser feito. Se os países mais desenvolvido do planeta passam muito bem sem empregada doméstica acho muita arrogância de nós brasileiros não podermos nem arrumar a própria cama na qual nso deitamos. Depois escrevo mais sobre isso. segue minha crônica, o professor tinha andado escrever uma crônica com o tìtulo O que é crônica.
Depois conto como é o professor e como são os alunos deste novo curso.

Uma crônica?


“Eu quase que nada não sei. Mas desconfio de muita coisa”.

Riobaldo em Grande Sertão Veredas (Guimarães Rosa)

No século passado, lá pelo final dos exagerados, anos 80, prestei o vestibular. Desde então, nunca me esqueci do texto que servia como mote para a prova de redação. Era uma historinha, aparentemente um tanto singela, sobre um burro que estava morrendo de fome e de sede e colocaram na frente dele, um monte de feno e um balde com água. Incapaz de escolher, entre matar primeiro a fome ou a sede, o burro morreu.


Nesta época, não tinha a menor noção do que vinha a ser uma escolha com tamanha profundidade. Jovem demais achava que escolher era uma coisa bastante simples.. Medicina ou Direito, azul ou verde, Fla ou Flu (Flu), chocolate ou creme. O tempo me encarregou de fazer escolhas bem mais difíceis e complexas. E, atualmente, todas as vezes que me deparo com um problema de escolha, penso no falecido burrico.


Precisando escrever uma crônica, sobre o que afinal de contas é crônica, instantaneamente me veio à mente a recorrente imagem do quadrúpede, de orelhas enormes, defronte do feno e da água. O que escrever? Quais palavras usar? Quantos parágrafos? Quantos toques? Colocar ou não uma epígrafe? Não querendo morrer de fome, ou de sede, na verdade não querendo nem morrer, resolvi recorrer ao pai dos burros. Imaginei que partindo de uma definição precisa sobre o que é crônica seria fácil. A preguiça, no entanto, me fez cortar caminho. Recorri então ao “tio google” mesmo, e teclei: Cê, érre, ó, ene, i, cê, a


E, em menos de quinze segundos, estavam à minha inteira disposição 22.600.000 verbetes que continham a palavra crônica. Uni, duni, tê, fechei os olhos e cliquei aleatoriamente. Oba! era meu dia de sorte! O verbete que meu rato escolheu, graças à deus, não falava sobre nenhuma doença crônica ou qualquer outra coisa, desagradável, do gênero. Era um verbete da Wikipédia.


Já na primeira linha fiquei pasmo. Descobri que existem duas grafias para a palavra crônica: A européia com um acento agudo no ó e a brasileira com um simpático chapeuzinho no ô. Fiquei pasmo e revoltado. E a reforma ortográfica? E a unificação? O parágrafo seguinte ia ser todinho para falar mal e reclamar da reforma ortográfica, mas não vai dar. Preciso escolher uma definição, que sirva de mote para minha crônica e, se eu sair falando da reforma não vai sobrar espaço. Lá vem o burro de novo.


Estava redondamente enganado, minha escolha não ia ser tão fácil assim. Quanto mais eu me aprofundava no assunto, mais o leque de opções aumentava. Apesar de faltarem alguns tipos de crônica, o verbete fazia uma lista de mais ou menos uns 10 tipos e explicações e coisa e tal.

Indeciso, com preguiça e com a faca no pescoço não escolhi nem água nem feno, fiquei mesmo com a definição do Cony (um mestre no gênero): “Crônica pode ser qualquer coisa, só não pode ser chata!”



4 comentários:

tertulías disse...

Amei... Cronica...
e a estória do burro... incrível, acho que também, com o passar dos anos a gente vai tendo escolhas mais difíceis... será memdo de perder alguma coisa caso a gente escolha errado? e até se nao escolher errado? Será que a gente quer tudo? E por isto odeia escolher? Eu passo por apertos até em restaurantes... Mas pega mal comer 4 entradas, 8 pratos principais, 5 sobremesas e tres cores de vinho...

Voce tocou num ponto do qual tenho orgulho... Eu só tenho uma faxineira... Sabe o que uma amiga me perguntou: mas quando ela nao vem, quem limpa o banheiro? Só tive uma resposta: Bem, voce sabendo que sou limpo e que além de gostar de cozinhar para amigos levo uma casa limpíssima, deve ter concluído quem...

Marcia, será possível? A arrogancia é tanta que (fazer a cama nao é nada em comparacao) o pessoal nem pega na vassourinha para limpar o toilette? Que horror...

Bem, querida te parabenizar mais uma vez por uma gostosa postagem: Voce anda ótima!

Beijos
Ricardo

Anônimo disse...

Adorei, vc e' uma cronista!!
So' agora entendi o que se dizia la' em casa: "Pensando morreu um burro!" hah ha
Bjs,
Mina

Jôka P. disse...

Marcia, tenho certeza de que vai gostar do Hairspray! E pode levar as meninas, se elas gostarem de musicais, é leve, chique e lindo.
bjs e obrigado pela mensagem tão carinhosa!
PS: estou esperando vc pra um café hora dessas, tá !

tertulías disse...

Acabei derecebr tua mensagem lá nas tertúlias... Bossa, voc acorda cedo, hein?